As reservas de ouro e moeda estrangeira do Zimbabué deverão atingir 2,2 mil milhões de dólares até ao final de 2026, registando uma recuperação expressiva após ter mais do que duplicado, passando de 697 milhões de dólares em Junho de 2025 para 1,5 mil milhões de dólares em Junho de 2026. O progresso consolida a melhoria da posição externa do país.
De acordo com as projecções detalhadas pelo ministro das Finanças, Mthuli Ncube, o reforço dos activos de reserva vai permitir manter a estabilidade das taxas de câmbio, assegurar o fornecimento de importações essenciais e amortecer o impacto de choques económicos externos. A consolidação financeira concede igualmente ao banco central uma maior capacidade operacional para intervir no mercado cambial, facilitar pagamentos internacionais e conferir cobertura robusta à moeda nacional, o ZiG.
Impacto Monetário e Fortalecimento da Moeda ZiG
Durante o Seminário Nacional Pré-Orçamental de 2027, realizado em Bulawayo, o governante destacou a dimensão do reforço financeiro. “As nossas reservas cobrem agora aproximadamente quatro vezes o total da moeda de reserva e dos depósitos de mercado do ZiG”, afirmou Mthuli Ncube.
O desempenho das contas externas reflecte-se também na evolução do saldo transaccional com o exterior. O Governo prevê que o excedente da conta corrente suba dos 2,1 mil milhões de dólares registados em 2025 para 3,9 mil milhões de dólares em 2026. Apenas no primeiro semestre deste ano, o saldo positivo atingiu 1,1 mil milhões de dólares, ultrapassando substancialmente os 248,2 milhões de dólares contabilizados em igual período de 2025, fruto do desempenho das exportações e da entrada contínua de recursos da diáspora.
Crescimento das Receitas Cambiais e Ajustes Monetários
As receitas em moeda estrangeira registaram um crescimento de 47,8% na primeira metade de 2026, somando um valor global de 10,7 mil milhões de dólares. A fatia maioritária deste montante — cerca de 70,3% — teve origem nas exportações, enquanto as remessas representaram 14,4% do total. Mthuli Ncube atribuiu a evolução positiva ao dinamismo das transferências da diáspora e à valorização das cotações internacionais do ouro e dos metais do grupo da platina.
No plano da política monetária, a gestão rigorosa da liquidez e do meio circulante tem assegurado maior estabilidade dos preços e menor volatilidade cambial. A taxa de juro de referência do banco central foi reduzida de 35% para 30% em Junho de 2026, descendo novamente para 27,5% em Setembro. Por sua vez, as reservas obrigatórias fixaram-se em 30% para depósitos à ordem e a prazo, e em 15% para depósitos de poupança e a prazo, tanto em moeda nacional como em divisas estrangeiras.
Como mecanismo adicional de regulação financeira, as autoridades monetárias recorreram a operações de mercado aberto através da emissão de Certificados de Depósito Não Negociáveis. Adicionalmente, foi lançada em 2026 a Linha de Depósito a Prazo Denominada em ZiG, instrumento desenhado especificamente para absorver o excesso de liquidez no sistema bancário.
Metas Fiscais e Perspectivas para 2027
Para o exercício económico de 2027, a estratégia governamental assenta na manutenção da consolidação fiscal no âmbito do cumprimento da segunda Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2 (END2). A prioridade central passa por conter o défice orçamental abaixo da fasquia dos 3% do Produto Interno Bruto (PIB), direccionando os recursos públicos para projectos estruturantes de transformação económica e crescimento inclusivo.
Serão também implementadas reformas destinadas a elevar a eficiência na gestão dos dinheiros públicos e a incentivar o investimento privado. O Tesouro prevê criar condições mais atractivas para a captação de capital nacional e estrangeiro, dando continuidade aos progressos alcançados durante a primeira fase da Estratégia Nacional de Desenvolvimento.