O presidente do ANAMOLA, Venâncio Mondlane, recorreu a uma transmissão ao vivo realizada a partir da Tailândia para justificar a vaga de restruturações e exonerações na liderança da organização política. Durante a sua intervenção, o líder revelou abertamente que vários quadros terão de ser dispensados para salvaguardar a integridade e a sustentabilidade do movimento.
Alertas de Infiltração e Tentativas de Corrupção
As declarações da liderança do ANAMOLA surgem num momento de crescente especulação sobre desalinhamentos internos, após a confirmação do afastamento de Dinis Tivane da Comissão Executiva Nacional. Sem citar nominalmente o seu antigo braço direito ou associar o seu nome a actos ilícitos, Mondlane foi categórico ao denunciar manobras de infiltração e estratégias externas destinadas a desestabilizar a força política a partir do seu interior.
O líder político garantiu que não hesitará em afastar qualquer elemento para proteger o projecto colectivo, revelando que a própria estrutura do partido foi alvo de investidas externas. “Algumas pessoas vão ser dispensadas. Algumas pessoas vão sentir que estão a ser injustiçadas. Mas a verdade é uma: o mais importante é manter a nossa luta intacta. Tudo aquilo que eu souber que coloque em risco este projecto, que é o único projecto neste momento que é a esperança desse povo. Já mandaram pessoas para vir destruir o partido por dentro. Já infiltraram o partido. Já fizeram de tudo até para me corromper a mim próprio”, declarou Venâncio Mondlane.
Reestruturação e Histórico de Exonerações
A reorganização interna surge no seguimento da adopção de uma nova estrutura directiva, aprovada após a realização da I Convenção Nacional Extraordinária. Recentemente, o porta-voz Alberto Manhique confirmou publicamente que Dinis Tivane deixou de integrar a Comissão Executiva Nacional, consolidando um processo de remodelação que teve início em Setembro, mês em que Messias Uarreno foi exonerado do cargo de Secretário-Geral e Tivane foi substituído por Manhique na função de porta-voz nacional.
Decisões Sem Romantismo ou Favoritismos
Perante a leitura da opinião pública de que a perda de espaço por parte de figuras fundadoras possa sinalizar instabilidade ou ruptura, a direcção do ANAMOLA reafirma que agirá com firmeza e sem contemplações pessoais. O objectivo das dispensas é blindar a organização contra influências nocivas e garantir a continuidade da acção política.
Mondlane reiterou que o rigor decisório se sobrepõe a relações de proximidade afectiva ou de amizade, reconhecendo que o afastamento de quadros poderá gerar sentimentos de injustiça individual, mas insistindo na preservação da causa colectiva: “E as decisões têm que ser tomadas com coragem. Há decisões que não vamos tomar por amizade. Há decisões que não vamos tomar por romantismo. Há decisões que não vamos tomar apenas para agradar alguns. Vamos tomar decisões para manter a nossa luta intacta.”
A cúpula do movimento confirmou ainda que novas dispensas irão ocorrer na alta direcção da organização para assegurar a continuidade da causa política, mesmo perante a incompreensão ou descontentamento dos membros afectados.