A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) prepara-se para submeter ao Governo uma proposta que visa fixar em 10 quilómetros o limite máximo da extensão das rotas autorizadas para minibuses de 15 lugares na região metropolitana de Maputo. A iniciativa procura erradicar de forma definitiva o fenómeno de encurtamento sistemático de trajectos que afecta diariamente milhares de utentes nos principais corredores de transporte.
Combate ao encurtamento de trajectos
A posição foi tornada pública esta sexta-feira (30), em Maputo, pelo presidente da agremiação, Paulo Muthisse. O responsável explicou que a medida pretende mitigar as interrupções arbitrárias de viagens por parte dos operadores, assegurando que os passageiros alcancem os seus destinos finais sem custos duplicados ou transbordos forçados.
De acordo com o líder associativo, os diagnósticos operacionais apontam que os veículos desta lotação concentram o maior volume de queixas relativas à inobservância dos terminais previamente autorizados. Nesse sentido, caso fique demonstrado que estes operadores não reúnem viabilidade técnica ou operacional para cobrir percursos superiores a 10 quilómetros, a organização defenderá a não emissão ou renovação de licenças que excedam essa quilometragem.
“Os que mais fazem encurtamento de rota são os minibuses de 15 lugares”, sustentou Paulo Muthisse, vincando que a meta reside em travar integralmente essa conduta no espaço metropolitano.
Fiscalização rigorosa arranca a 7 de Novembro
Paralelamente às discussões regulatórias, o sector prepara-se para intensificar a actuação inspectiva no terreno a partir do dia 7 de Novembro, data em que entra em vigor o novo quadro tarifário para o transporte público semi-colectivo de passageiros. As diferentes associações de base já receberam directrizes para acompanhar o processo com especial presença nas paragens e terminais de grande afluência de passageiros.
Muthisse pontualizou ainda a especificidade das negociações no país, salientando que, fora da capital, os entendimentos decorrem no âmbito das representações provinciais em coordenação directa com as administrações e municípios locais. Já na região metropolitana de Maputo, coube à direcção central da FEMATRO assumir a liderança das conversações pela necessidade de harmonizar interesses entre os municípios de Maputo, Matola e Boane, sob coordenação da Agência Metropolitana de Transporte (AMT).
A liderança da entidade patronal frisou que o processo negocial não se foca exclusivamente na margem financeira dos operadores rodoviários, procurando salvaguardar a estabilidade e capacidade de pagamento dos passageiros que dependem de forma estrutural da rede de transportes. A restrição de extensão para os 10 quilómetros aguarda agora agendamento formal com as entidades governamentais competentes, tratando-se, para já, de uma proposta técnica em fase preparatória.