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Mundo

III Cimeira Rússia-África: Vladimir Putin Acusa Ocidente de Endividar Continente e Promete Reforçar Exportações

Na abertura da III Cimeira Rússia-África em Moscovo, Vladimir Putin denunciou as condições financeiras abusivas impostas pelo Ocidente e anunciou o aumento das exportações de cereais e fertilizantes para mais de 40 países africanos.
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O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou os países ocidentais de tentarem aprofundar a dependência financeira das nações africanas e comprometeu-se a expandir as exportações russas de cereais e fertilizantes para o continente. As declarações foram proferidas na sessão plenária de abertura da III Cimeira Rússia-África, iniciada esta quarta-feira em Moscovo.

Críticas ao Ocidente e Visão Multipolar

Durante o seu discurso perante os delegados, Putin alertou para o que classificou como tentativas ativas do Ocidente em endividar novamente o continente africano. Segundo o líder russo, a cedência de recursos financeiros sob condições abusivas e taxas de juro elevadas compromete os planos de desenvolvimento de longo prazo dos países de África.

O chefe de Estado russo reiterou que a consolidação de uma ordem mundial multipolar representa uma tendência irreversível, embora tenha reconhecido a resistência de alguns blocos internacionais a esta transformação. Paralelamente, assegurou que Moscovo pretende reforçar as relações com o continente africano com base nos princípios de igualdade e amizade.

Trocas Comerciais e Cooperação Estratégica

No domínio económico, Putin revelou que mais de 40 países africanos já recebem fertilizantes e cereais provenientes da Rússia. Apenas nos primeiros nove meses de 2026, as exportações agrícolas russas para África atingiram os 13 milhões de toneladas.

Por outro lado, o Presidente russo sublinhou o crescimento das exportações agrícolas africanas destinadas ao mercado russo, informando que estas já representam 8% das necessidades do país, com perspetivas de ampliação. Na área da educação e mobilidade, destacou o aumento no número de estudantes africanos nas universidades russas e apelou às companhias aéreas africanas para o estabelecimento de ligações aéreas diretas com a Rússia.

Documentos e Representação Diplomática

O evento, que decorre até quinta-feira, integra painéis dedicados aos transportes, memória histórica e ao combate ao neocolonialismo. A agenda contempla duas sessões plenárias e a adoção de três documentos estruturantes: uma declaração final sobre o aprofundamento da cooperação bilateral, uma declaração sobre Inteligência Artificial e um plano de ação do Fórum de Cooperação Rússia-África para o período entre 2027 e 2029. Está igualmente prevista a assinatura de pelo menos 33 documentos, incluindo acordos intergovernamentais, memorandos de entendimento e contratos comerciais.

Os trabalhos contam com delegações de 48 países, dos quais 22 estão representados ao mais alto nível por chefes de Estado. Entre os países africanos de língua oficial portuguesa, Moçambique e Guiné Equatorial participam ao nível de chefia de Estado, ao passo que Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau fazem-se representar por delegações ministeriais.

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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