O Governo de Angola identificou mais de 31 mil funcionários públicos com potenciais irregularidades nos seus registos oficiais. O levantamento abrange situações que incluem pessoas falecidas, indivíduos reformados e trabalhadores cujo paradeiro é totalmente desconhecido, um cenário que pode acarretar pesados encargos financeiros para os cofres do Estado.
Medidas administrativas e modernização do controlo
A revelação foi feita pela ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Rodrigues Dias, no âmbito do lançamento do Sistema Integrado de Gestão de Recursos Humanos da Função Pública (SINGERH). A nova ferramenta tecnológica visa modernizar e conferir maior rigor ao controlo dos recursos humanos na administração estatal.
De acordo com a governante, as anomalias foram apuradas durante o recente processo de recadastramento e atualização dos dados dos servidores públicos. As desconformidades estão a ser minuciosamente analisadas em coordenação com o Ministério das Finanças e os respetivos organismos de tutela, estando prevista a aplicação de sanções e medidas administrativas para todos os casos sem fundamentação legal.
Avanço no processo de regularização cadastral
Os dados apresentados demonstram uma evolução expressiva no controlo dos efetivos do Estado. Dos mais de 426 mil registos contabilizados no início de 2026, apenas cerca de 30 mil apresentavam as informações devidamente atualizadas no arranque do procedimento.
Com a intensificação do processo de atualização cadastral, levado a cabo entre Janeiro e Setembro, mais de 388 mil funcionários e agentes do Estado conseguiram regularizar a sua situação. O resultado representa uma cobertura bem-sucedida de mais de 91% do universo global de trabalhadores da administração pública angolana.