Com mais de 40 anos de existência, o distrito de Jangamo, situado na província de Inhambane, continua a ser fustigado por graves deficiências nas suas infraestruturas viárias. A degradação acentuada das principais vias que dão acesso à vila-sede e aos bairros envolventes converteu a mobilidade diária num desafio complexo, penalizando a circulação de pessoas, o escoamento de produtos e a dinâmica comercial da região, uma situação que se agrava drasticamente no período chuvoso.
Prejuízos crescentes para automobilistas e residentes
Circular pelas artérias da vila-sede exige manobras arriscadas devido à multiplicação de buracos e à erosão do solo. António Mazive, funcionário público que trabalha em Jangamo e reside na cidade da Maxixe, desloca-se diariamente entre os dois pontos e descreve um cenário crítico de mobilidade.
“Como podes ver, não tem estrada por aqui, é tudo buraco. A partir da entrada do Hospital Distrital, passando pelo mercado até ao Governo Distrital, está tudo de qualquer maneira. Não há carro que não danifique peças. Há covas em todo o lado, não é fácil esquivá-las”, desabafa António Mazive.
A precariedade viária estende-se aos transportadores de mercadorias. Muitos agentes económicos recusam-se a enviar camiões de grande porte à vila-sede devido ao risco de danos em componentes dispendiosos, como caixas de velocidades, sistemas de suspensão, amortecedores e pneus. Como alternativa paliativa, os comerciantes recorrem a carrinhas de caixa aberta para assegurar o abastecimento local, embora a medida resulte em custos logísticos acrescidos que reduzem a rentabilidade dos negócios.
Datish Sumariyah, agente económico local, confirma as hesitações do sector privado: “Temos camiões que podem trazer produtos aqui para a vila-sede, mas temos medo de trazer. Vão estragar e a manutenção de um camião é muito difícil. É só imaginar um camião a andar numa estrada em total estado de degradação, não resiste muito tempo”.
Infraestruturas coloniais sem manutenção
Na totalidade do distrito de Jangamo, a maioria das vias de acesso é constituída por estradas de terra batida sem manutenção regular. Os poucos troços alcatroados remontam ao período colonial e encontram-se em adiantado estado de deterioração, carecendo de intervenções profundas.
Mário José Penicela, motorista profissional que efetua diariamente a ligação entre a cidade de Inhambane e Jangamo, relata os prejuízos acumulados com reparações constantes na oficina, decorrentes dos impactos sofridos pelos veículos.
“Se pelo menos melhorassem a estrada que parte da entrada do Hospital Distrital até aqui no terminal, seria melhor. Não estamos a pedir muito. Sei que o desenvolvimento leva o seu tempo, mas o Governo não pode nem deve ficar de braços cruzados, lamentando a falta de fundos. É preciso ir atrás de parcerias. Jangamo tem muitas potencialidades que, se forem bem exploradas, podem trazer benefícios para a própria população”, afirma o condutor.
Potencial económico por alavancar
Para além dos obstáculos diretos ao transporte rodoviário, o défice de infraestruturas compromete o pleno aproveitamento das capacidades económicas de Jangamo. O distrito possui importantes recursos naturais e turísticos, destacando-se as suas praias e a exploração de areias pesadas conduzida por operadores estrangeiros.
Contudo, persistem inquietações entre os habitantes locais quanto ao retorno efetivo desses projetos extractivos para o bem-estar comunitário. A reabilitação das estradas é apontada por residentes e empresários como uma condição urgente e indispensável para dinamizar a economia, atrair investimentos e garantir condições dignas de circulação em todo o distrito.