O distrito de Milange, na província da Zambézia, deu esta quinta-feira um passo estratégico para o fortalecimento da sua economia local com o lançamento da primeira pedra para a construção de um moderno mercado grossista. Avaliado em mais de 81 milhões de meticais, o empreendimento destina-se a facilitar o escoamento de produtos agrícolas e a dinamizar o comércio transfronteiriço entre Moçambique e o Malawi.
A infra-estrutura é viabilizada no âmbito do Projecto de Comércio e Conectividade da África Austral, financiado pelo Banco Mundial e executado através da Agência do Zambeze. Dada a localização fronteiriça de Milange, o complexo é visto como um ponto nevrálgico para responder às necessidades de produtores e operadores económicos de toda a região.
Instalações Modernas e Apoio Logístico
O mercado grossista contará com uma área vocacionada para a venda a retalho e um sector industrial composto por múltiplos armazéns para conservação de bens. Para além da componente de armazenagem, o recinto incluirá seis lojas dedicadas à venda de produtos frescos e um parque de estacionamento dimensionado para acolher 30 viaturas ligeiras e sete de médio porte.
Segundo o presidente do Conselho Empresarial Provincial da Zambézia, Carlos Joaquim, a concentração da produção agrícola num espaço devidamente organizado vai fortalecer o poder de negociação dos agricultores de Milange e dos distritos vizinhos, permitindo a fixação de preços mais justos no mercado.
A valorização do trabalho agrícola e a atracção de novos investimentos foram igualmente destacadas pelo presidente do município de Milange, Felisberto Nvua, que considera o projecto uma alavanca para a criação de novas oportunidades de negócio no sector produtivo.
Redução de Custos no Comércio Transfronteiriço
O director-geral da Agência do Zambeze, Celso Cunha, explicou que a iniciativa faz parte da visão integrada dos governos de Moçambique e do Malawi para dinamizar os corredores comerciais bilaterais. O objectivo principal passa por reduzir os custos e a morosidade do trânsito de mercadorias, criar cadeias de valor sólidas e modernizar as infra-estruturas de apoio económico.
Celso Cunha sublinhou ainda que a obra representa um esforço concreto de mobilização de recursos para a bacia do Zambeze, visando melhorar o ambiente de negócios e agilizar os trâmites aduaneiros no desembaraço de bens comercializados entre os dois países.
Rigor na Execução e Valorização da Mão-de-Obra Local
Durante a cerimónia, o governador da Zambézia, Pio Matos, fez um apelo directo ao empreiteiro e à equipa de fiscalização, exigindo o cumprimento rigoroso dos prazos de execução e dos padrões de qualidade técnica estabelecidos.
O governante destacou também a relevância da contratação de mão-de-obra local durante a fase de construção, recomendando o respeito permanente pelas tradições e hábitos culturais da comunidade acolhedora.