A Fundação de Apoio à Investigação e Inovação em Saúde (FINS) alertou esta segunda-feira para a diminuição contínua do financiamento destinado à investigação científica no sector da saúde em Moçambique. O cenário actual gera incertezas relativamente à continuidade e ao desenvolvimento de projectos científicos cruciais para o avanço da saúde pública no país.
O alerta foi dado pela directora executiva da FINS, Nilza Mbanze, durante a cerimónia oficial de lançamento da fundação, realizada em Maputo. Na ocasião, a responsável enfatizou a urgência de mobilizar recursos e diversificar as fontes de financiamento como medidas essenciais para assegurar a sustentabilidade da investigação e da inovação em saúde.
Principais constrangimentos no sector
Segundo Nilza Mbanze, a redução dos recursos financeiros disponíveis figura como um dos maiores entraves enfrentados pelo sector. A este desafio somam-se a fraca articulação entre as instituições de saúde e outros actores da sociedade, além dos baixos níveis de literacia científica na população em geral.
Para mitigar estas limitações, a fundação propõe-se a mobilizar fundos, promover parcerias estratégicas e criar mecanismos de apoio directo aos investigadores. O objectivo central é assegurar que as evidências geradas pelos estudos científicos sejam convertidas em soluções práticas para os desafios de saúde pública.
“Em resumo, queremos criar condições para que o conhecimento científico não se limite à sua produção, mas seja também valorizado, partilhado e transformado em respostas com impacto na sociedade”, sublinhou Mbanze.
Mobilização de recursos e aproximação à sociedade
Criada pelo Instituto Nacional de Saúde (INS), a FINS é uma entidade privada, sem fins lucrativos, vocacionada para promover, apoiar e valorizar a investigação e inovação em saúde mediante a angariação de verbas e a construção de alianças multissectoriais.
Entre as suas prioridades estratégicas estão a diversificação das fontes de financiamento, o reconhecimento dos investigadores nacionais e o fomento de políticas públicas baseadas em evidências científicas. A instituição visa igualmente aproximar as instituições académicas e científicas do sector privado, dos órgãos governamentais e das comunidades locais.
A directora executiva apontou ainda que a escassa literacia científica condiciona o envolvimento dos cidadãos e a valorização do conhecimento produzido, apelando a uma participação mais activa das organizações da sociedade civil e dos meios de comunicação social na difusão dos resultados científicos.
Apoio à nova geração de investigadores
No âmbito das suas primeiras acções, a FINS anunciou o lançamento de um programa de bolsas concebido para apoiar jovens investigadores moçambicanos na participação em conferências científicas internacionais.
A iniciativa destina-se a investigadores com idade igual ou inferior a 35 anos, afectos a instituições de investigação nacionais, cujos resumos científicos tenham sido aceites para apresentação em eventos internacionais. Com esta medida, a fundação pretende alargar a presença nacional em fóruns de debate científico internacional, estimulando a troca de conhecimentos e o reforço da capacidade de investigação em Moçambique.