A Fundação de Apoio à Investigação e Inovação em Saúde (FINS) alertou, esta segunda-feira (2), para a redução do financiamento destinado à investigação científica no sector da saúde em Moçambique. A diminuição dos recursos disponíveis gera incertezas quanto à continuidade e ao desenvolvimento de projectos de investigação cruciais para o País, exigindo a mobilização urgente de fundos e a diversificação das fontes de financiamento.
Desafios e constrangimentos na investigação de saúde
Durante a cerimónia de apresentação oficial da Fundação, realizada na cidade de Maputo, a directora executiva da FINS, Nilza Mbanze, identificou os principais obstáculos que condicionam o avanço científico nacional e o seu impacto na melhoria dos serviços de saúde. Além da escassez financeira, a responsável destacou a limitada articulação entre as instituições de saúde e os restantes actores da sociedade, aliada aos baixos níveis de literacia científica da população.
Para fazer face a estes cenários, a FINS — entidade privada sem fins lucrativos criada pelo Instituto Nacional de Saúde (INS) — pretende promover parcerias estratégicas e criar mecanismos concretos de apoio aos investigadores, garantindo que os resultados dos estudos sejam traduzidos em soluções práticas para os problemas de saúde pública.
“De forma resumida, pretendemos criar condições para que o conhecimento científico não se limite à sua produção, mas seja também valorizado, partilhado e transformado em respostas com impacto na sociedade”, afirmou Nilza Mbanze.
Aproximação à sociedade e apoio a jovens cientistas
A actuação da FINS prevê a aproximação entre as instituições académicas e científicas, o sector privado, as entidades governamentais e as comunidades locais, visando impulsionar a inovação no sector da saúde. Durante a sua intervenção, Nilza Mbanze ressaltou que a reduzida literacia científica na sociedade limita o envolvimento e a participação activa dos cidadãos, defendendo um maior papel da sociedade civil e dos meios de comunicação social na difusão do conhecimento.
No âmbito das primeiras acções práticas, a FINS disponibiliza um programa de bolsas focado no apoio a jovens investigadores moçambicanos. A iniciativa destina-se a cientistas com idade igual ou inferior a 35 anos, vinculados a instituições nacionais de investigação, cujos resumos científicos tenham sido aceites para apresentação em conferências internacionais. O objectivo é alargar a representação de Moçambique em fóruns globais e fortalecer a capacitação científica no País.