Motoristas e proprietários de camiões afetos ao transporte de castanha de caju, que fazem a ligação entre as províncias de Cabo Delgado e Nampula, denunciam a continuidade de cobranças ilícitas ao longo das Estradas Nacionais Nº 1 (EN1) e Nº 380 (N380). As irregularidades são atribuídas a membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS) posicionados nos postos de controlo rodoviário.
Troços críticos e valores cobrados aos transportadores
As extorsões ocorrem predominantemente no segmento da EN1 situado entre Silva Macua e o Rio Lúrio. Na estrada N380, via vital para a circulação entre o sul e o norte de Cabo Delgado, os relatos abrangem toda a extensão do percurso, com especial incidência nos trechos entre os distritos de Ancuabe e Mocímboa da Praia.
Em episódios registados nesta terça-feira, um condutor que movimentava uma carga de castanha de caju do distrito de Nangade com destino à Cidade de Nacala, na província de Nampula, foi forçado a desembolsar pelo menos 1.000,00 Meticais em cada posto de fiscalização por onde transitou. Ao final do percurso, o prejuízo acumulado com os pagamentos informais ultrapassou os 5.000,00 Meticais.
Ameaças e proliferação de postos informais
Segundo os afetados, a tentativa de recusar o pagamento destas quantias arbitrárias resulta em ameaças diretas efetuadas pelos elementos das FDS. Os agentes alegam que não prestarão assistência ou proteção aos veículos caso ocorra algum incidente de segurança ao longo das vias, cuja situação operacional permanece sob elevado risco.
Adicionalmente às cobranças nos postos fixos da EN1 e N380, os operadores relatam a montagem de postos intermédios de fiscalização. Nestes locais, tanto elementos das FDS quanto membros da Força Local — estrutura comunitária constituída por antigos guerrilheiros da Frelimo — exercem fiscalizações paralelas e exigem somas em dinheiro aos automobilistas.
Impacto na segurança e na economia local
A situação gera forte descontentamento entre a classe dos transportadores, que adverte que a prática corrói a relação de confiança com as autoridades encarregues de restabelecer a ordem pública, numa província fustigada pelo terrorismo há nove anos.
No troço da N380 entre Macomia e o cruzamento de Oasse, em Mocímboa da Praia — um trajeto com mais de 100 Km de extensão onde também há registo de irregularidades —, os veículos dependem obrigatoriamente de escolta militar para assegurar a integridade física de passageiros, bens e viaturas durante o trânsito.