O agravamento das temperaturas globais e o consequente stress térmico nos ambientes de trabalho poderão comprometer o equivalente a 2,46 milhões de empregos a tempo inteiro na Etiópia, no Gana e no Senegal até ao ano de 2040. Os impactos económicos decorrentes da perda de produtividade nestas três nações estão estimados em cerca de 67 mil milhões de dólares, de acordo com dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O calor excessivo em ambiente laboral tem vindo a reduzir progressivamente o tempo efetivo de trabalho e os rendimentos, afetando a estabilidade de trabalhadores, empresas e a dinâmica de crescimento das respetivas economias. Já no ano de 2023, o stress térmico associado às mudanças climáticas causou prejuízos substanciais de horas trabalhadas nesses três países.
Impacto Detalhado por País
Na Etiópia, mais de um milhão de postos de trabalho equivalentes a tempo inteiro foram diretamente afetados pelo calor nos locais de trabalho em 2023, sendo que sensivelmente três quartos desse total correspondem ao sector agrícola. As projeções indicam que, até 2040, o número de trabalhadores afetados no país ascenda aos 1,78 milhão, representando um impacto negativo de 33,3 mil milhões de dólares no Produto Interno Bruto (PIB) etíope.
No Gana, as temperaturas extremas estiveram associadas à perda de mais de 345 mil empregos no mesmo período, perspetivando-se um aumento para 550 mil postos até 2040. As perdas no PIB ganês deverão atingir 23,2 mil milhões de dólares.
Por sua vez, o Senegal registou cerca de 72 mil postos de trabalho atingidos em 2023, estimando-se que mais 129 mil empregos venham a sofrer consequências até ao final do período analisado. As perdas económicas no PIB senegalês fixam-se em 10,5 mil milhões de dólares.
Sectores Afetados e Medidas de Adaptação
Embora a agricultura e a construção civil figurem entre as áreas de maior vulnerabilidade devido à elevada intensidade do esforço físico exigido, os efeitos nefastos da vaga de calor estendem-se também aos transportes, comércio, prestação de serviços e à economia informal.
A directora regional da OIT para África, Fanfan Rwanyindo Kayirangwa, enfatiza que a dimensão do problema vai além da questão ambiental. “Proteger as pessoas do calor significa também resguardar meios de subsistência, empresas e a sustentabilidade das nossas economias”, sublinhou.
Para mitigar a crise, a organização recomenda a adoção urgente de medidas de adaptação, que incluem o ajustamento dos horários de trabalho para evitar a exposição às horas de maior calor, a implementação de ciclos obrigatórios de descanso e a intensificação da fiscalização das condições de segurança e saúde no trabalho.