A Meta está a oferecer incentivos financeiros que variam entre 50 mil e 500 mil dólares a criadores de conteúdo consolidados no YouTube, encorajando-os a publicar vídeos de longa duração no Instagram. A estratégia visa captar produtores de grande dimensão para reforçar a presença da empresa no mercado audiovisual, um segmento historicamente liderado pela plataforma concorrente da Google.
As propostas de financiamento foram apresentadas a um grupo selecionado de criadores. Os contratos em negociação não exigem exclusividade total, permitindo que os conteúdos continuem a ser disponibilizados em diferentes plataformas. No entanto, algumas das cláusulas exigem que os vídeos sejam lançados no Instagram no mesmo dia em que ficarem disponíveis no YouTube. A Meta confirmou o financiamento direto da produção para este novo formato, mas manteve a confidencialidade em relação aos montantes exatos de cada acordo.
Formato “Features” e aposta na expansão para televisores
Esta ofensiva comercial segue-se ao anúncio feito em Outubro sobre o lançamento da funcionalidade intitulada “Features”, que permite a publicação de vídeos horizontais com duração de até 90 minutos. A ferramenta encontra-se atualmente em fase de testes, estando restrita a um número limitado de produtores no Brasil e nos Estados Unidos.
A nova funcionalidade permite que vídeos curtos divulgados no Reels sejam vinculados diretamente a produções mais longas, incentivando os utilizadores a consumir programas completos sem abandonar a aplicação. Paralelamente, a Meta tem como objetivo expandir a exibição destes programas para ecrãs de televisão, enfrentando de forma direta a presença dominante do YouTube nas salas de estar.
Desafios no modelo de monetização
O foco da iniciativa abrange especialmente criadores de podcasts, programas de humor, entrevistas e outros formatos extensos. Contudo, ao contrário do YouTube — que dispõe de um sistema estruturado de partilha de receitas publicitárias com criadores elegíveis —, o Instagram ainda não implementou um modelo de monetização generalizado para conteúdos longos.
Sobre esta matéria, a vice-presidente de Produto do Instagram, Tessa Lyons, sinalizou que a empresa pretende construir condições para apoiar tanto os criadores que já possuem estruturas comerciais e parcerias publicitárias próprias, como aqueles que ainda não desenvolveram mecanismos de rentabilização.
Apesar de os pagamentos diretos representarem um forte atrativo inicial para a transição de conteúdos, a capacidade de o Instagram competir de forma sustentável com o YouTube dependerá da criação de um ecossistema permanente e regular de partilha de receitas a longo prazo.