O Fundo de Energia (FUNAE) prevê arrancar, em 2027, com a construção de 100 mini-redes solares nas províncias da Zambézia, Tete e Niassa, num investimento global estimado em 50 milhões de dólares. A iniciativa tem como objetivo levar energia elétrica a comunidades rurais que ainda não se encontram integradas na rede nacional de distribuição, recorrendo a sistemas de geração descentralizada.
Financiamento internacional e cooperação com o setor privado
A viabilização financeira do programa resulta de uma parceria articulada entre o FUNAE e a Agência Belga de Cooperação Internacional (Enabel), que asseguraram a mobilização de verbas junto do Fundo Verde para o Clima. A gestão e execução das infraestruturas estarão a cargo do setor privado, que assumirá a construção e a exploração técnica dos sistemas.
O diretor da Divisão de Atendimento ao Setor Privado do FUNAE, Mussa Mane, sublinhou que a empreitada representa uma nova etapa na estratégia de eletrificação rural do país. Segundo o responsável, a prioridade recai agora sobre as localidades encravadas, após uma fase inicial focada na infraestruturação dos postos administrativos.
“As mini-redes solares são infra-estruturas descentralizadas, constituídas por painéis solares para a produção de energia, baterias para armazenamento e uma rede de distribuição que transporta electricidade até às residências das populações”, detalhou Mussa Mane.
Celeridade nos concursos e articulação institucional
As informações foram avançadas na cidade de Maputo, no âmbito do Retiro de Governança e Alinhamento Institucional para Mini-Redes e Energia Descentralizada. O encontro de trabalho reuniu decisores e especialistas do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, do FUNAE, da Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) e da Enabel.
Durante a reunião, o presidente do Conselho de Administração do FUNAE, Mety Gondola, chamou a atenção para a urgência em desburocratizar as etapas de contratação de modo a cumprir o cronograma estipulado. “Não podemos levar um ano, dois anos, a gerir o processo de contratação. A população está à espera e o Governo tem pressa de prestar este serviço”, advertiu o titular da instituição.
Meta de cobertura universal até 2030
A conferência serviu para definir competências institucionais, afinar os cadernos de encargos e acelerar as fases preparatórias necessárias para que as obras arranquem sem percalços em 2027.
A implantação das 100 mini-redes solares insere-se no plano estratégico do Governo moçambicano para garantir o acesso universal à energia elétrica até ao ano de 2030, articulando a expansão da rede elétrica principal com soluções renováveis e autónomas nas regiões rurais de difícil acesso.