A Rede de Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa foi oficialmente lançada na quarta-feira, 4 de Novembro, em Luanda, com o objectivo estratégico de reforçar a cooperação institucional e técnica entre as autoridades monetárias do universo lusófono. A iniciativa pretende promover a partilha de conhecimentos e o desenvolvimento de soluções conjuntas em domínios fundamentais como a política macroeconómica, inclusão financeira, digitalização e sistemas de pagamento.
A formalização do organismo deu-se através da assinatura de um memorando de entendimento, anunciado pelo Governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Tiago Dias. O responsável explicou que foram constituídos grupos de trabalho específicos de modo a assegurar um espaço permanente de diálogo e interacção técnica entre os especialistas das diversas instituições monetárias.
Estrutura Organizacional e Presidência Rotativa
Na sequência do ato de lançamento, a rede realizou a sua reunião inaugural, momento no qual foram aprovados os estatutos organizacionais, a presidência e os mandatos atribuídos às diferentes comissões técnicas. O modelo de governação prevê uma presidência anual rotativa, cabendo ao Banco de Portugal assumir o primeiro mandato em 2027.
O Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, classificou a constituição desta plataforma como um marco histórico, destacando a sua relevância para intensificar o intercâmbio de informação em áreas cruciais como estatística, literacia financeira, gestão de crises e análise económica. O responsável realçou ainda a importância de aprofundar a colaboração entre os países lusófonos num contexto internacional marcado por fragmentação económica e incertezas geopolíticas.
Integração Regional e Contexto Económico
A sessão de arranque da rede coincidiu com as comemorações do 50.º aniversário do Banco Nacional de Angola, assinalado na quinta-feira, 5 de Novembro. Durante os trabalhos, foram igualmente analisadas as reformas económicas em curso em Angola e o dinamismo demonstrado pelo sector não petrolífero, factores apontados como geradores de novas oportunidades para o investimento externo no sector financeiro e na economia em geral.
No decurso dos encontros, os governadores avaliaram o panorama macroeconómico global, os seus impactos nas economias locais e as estratégias para consolidar mecanismos permanentes de cooperação. A rede abrange os bancos centrais dos nove países integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.