A viabilidade económico-financeira dos investimentos, a capacidade dos promotores e a qualidade dos contratos constituem as três condições fundamentais para assegurar o financiamento de grandes projectos de infra-estruturas. A posição foi defendida nesta quinta-feira, 5 de Novembro, em Maputo, por Tiago Almeida, responsável sénior de Investimentos da Corporação Financeira Internacional (IFC), instituição integrante do Grupo Banco Mundial dedicada ao desenvolvimento do sector privado.
A intervenção ocorreu durante o segundo e último dia do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), ocasião em que o representante detalhou a grelha de avaliação aplicada pelas instituições financeiras internacionais na análise de empreendimentos estratégicos.
Os três pilares da avaliação financeira
Segundo a explicação apresentada, o ponto de partida reside na demonstração de uma base económica e financeira consistente. De acordo com Tiago Almeida, é indispensável a existência de um racional económico-financeiro sólido que comprove a viabilidade real do investimento proposto.
O segundo pilar assenta na experiência e capacidade técnica e financeira demonstradas pelos promotores. As instituições de financiamento procuram garantias de que as entidades responsáveis pela execução possuem os recursos e a competência necessários para gerir imprevistos, sobretudo em empreendimentos de elevada complexidade e com ciclos de desenvolvimento prolongados. Para além de concretizar a obra, os promotores têm de garantir soluções operacionais e assegurar a continuidade dos serviços.
Contratos robustos e gestão de riscos
O terceiro critério prende-se com a estrutura jurídica e contratual que sustenta a iniciativa, com especial relevo para os regimes de concessão e parcerias público-privadas. O responsável da IFC sublinhou a relevância da bancabilidade dos contratos, referindo-se à exigência de termos contratuais que proporcionem segurança aos credores.
No domínio das infra-estruturas rodoviárias, o contrato de concessão desempenha um papel determinante na clarificação de responsabilidades e na repartição de riscos entre o Estado e os parceiros privados. Na visão do especialista, a alocação de riscos deve priorizar as partes que possuem melhor capacidade prática para os gerir e mitigar.
Diferenciação entre novos projectos e activos em operação
Na sua análise, Tiago Almeida estabeleceu a distinção entre o financiamento de empreendimentos do tipo greenfield — projectos desenvolvidos de raiz e sem histórico operacional — e o apoio a concessões ou empresas já em atividade. Estas últimas beneficiam de um histórico comprovado de operações e faturação, o que tende a simplificar a avaliação de risco por parte dos investidores.
Foi esclarecido que a IFC actua tanto na estruturação financeira de novas concessões como no refinanciamento de activos existentes, adaptando os modelos de capital às especificidades de cada activos.
A abordagem integrou o painel intitulado “Financiar os Projectos: Activos com Histórico e Projectos Greenfield”, moderado por João Guirengane, do Standard Bank Moçambique. O debate contou ainda com as participações de Jacob Flewelling, da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC); Fadzai Musoni, da Africa50; Adriano Lamas, da Opaia; e Alex Van Niekerke, da Trans African Concessions (TRAC), focando-se na distribuição de riscos e mecanismos de captação de recursos.
Com esta sessão, encerrou-se em Maputo a primeira edição do TRANS-LOG MOZ. O evento reuniu governantes da África Austral, investidores, instituições financeiras e operadores do sector com o propósito de debater a modernização dos corredores logísticos, a otimização dos custos de transporte e o reforço da integração comercial na região.