A experiência de Angola na mobilização de investimento privado para a criação de plataformas logísticas e o aproveitamento da produção agrícola ao longo do Corredor do Lobito foi partilhada com Moçambique. O modelo angolano, assente em parcerias público-privadas, visa modernizar a infraestrutura de transportes, otimizar o escoamento de produtos e alavancar a diversificação da economia.
Combate às Perdas na Produção Agrícola
A apresentação do modelo decorreu durante a primeira edição do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026). Durante a sua intervenção, o secretário de Estado dos Transportes Terrestres de Angola, Jorge Bengue Calumbo, explicou que o processo de transformação do Corredor do Lobito teve início em 2022, focado em converter a infraestrutura numa plataforma efetiva de desenvolvimento económico.
Segundo Jorge Bengue Calumbo, o Governo angolano promoveu alterações legislativas e concedeu incentivos para atrair investidores privados. A urgência da intervenção foi motivada pelos elevados índices de desperdício na agricultura. Estimativas apontam que entre 30% e 35% da produção agrícola ao longo do Corredor do Lobito se deteriorava devido à escassez de serviços eficientes de transporte e logística.
Rede de Plataformas Logísticas e Parcerias Internacionais
Para mitigar as perdas e aproximar os produtores dos mercados de consumo, foi lançada uma rede de plataformas logísticas com forte participação privada, estimulando também o processamento local. Um dos exemplos destacados situa-se entre as províncias do Huambo e do Bié — região com expressiva produção de abacate —, onde um parceiro dos Países Baixos investiu na construção de uma unidade dedicada à recolha, transformação e exportação agrícola.
A estratégia de dinamização do corredor é complementada pelo programa Diversifica Mais, que conta com o apoio de parceiros como a União Europeia, os Estados Unidos da América e o Banco Mundial. O programa oferece formação e equipamentos aos produtores locais, alinhando-se com o objetivo de reduzir a dependência do setor petrolífero.
Investimento de 753 Milhões de Dólares no Sector Ferroviário
No segmento ferroviário, a entrada de um operador privado em 2024 impulsionou a modernização do Corredor do Lobito. Atualmente, encontra-se em execução um investimento privado avaliado em cerca de 753 milhões de dólares, destinado ao aperfeiçoamento da infraestrutura, sinalização, telecomunicações, transformação digital e capacitação de quadros técnicos.
Integração Regional em Debate no TRANS-LOG MOZ 2026
A partilha da experiência angolana serviu para demonstrar o potencial da integração entre transportes, logística e produção agrícola, perspetivando soluções aplicáveis a projetos moçambicanos. O debate esteve inserido no painel ministerial “Corredor da Região Norte: Nacala”, moderado por Fernando Sebastião Ouana, director nacional de Logística e Desenvolvimento do Sector Privado nos Transportes, e contou com a participação de Agostinho Langa, presidente do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM).
As discussões abordaram o desenvolvimento dos corredores de transporte e projetos de infraestruturas com potencial para captar financiamento até 2027. O TRANS-LOG MOZ 2026 encerra esta quinta-feira (5), em Maputo, após reunir governantes da África Austral, operadores económicos e instituições financeiras em torno da redução dos custos de transporte e da integração comercial regional.