O presidente do Conselho Municipal de Nampula, Luís Giquira, reconheceu publicamente as dificuldades da sua gestão em concretizar parte das promessas eleitorais assumidas com a população. O edil justificou os atrasos com os efeitos nefastos das manifestações pós-eleitorais, registadas entre os finais de 2024 e o início de 2025, a par das severas limitações financeiras que afetam a autarquia.
Impacto das Manifestações e Limitações Financeiras
As declarações do autarca foram prestadas na sexta-feira, 30 de Outubro, durante uma visita de trabalho ao posto administrativo autárquico de Natikiri. Na ocasião, Luís Giquira admitiu a persistência de graves deficiências no abastecimento de água potável, situação que força várias comunidades a percorrer longas distâncias para ter acesso ao recurso vital.
«Sabemos e temos noção de que ainda existem bairros que sofrem com o abastecimento de água potável e percorrem longas distâncias para ter acesso a este recurso», afirmou o presidente do município.
Apesar de reconhecer o volume de trabalho pendente, o governante sublinhou que a capacidade de intervenção do município depende diretamente da disponibilidade de verbas. «Dificuldades existem, mas o município não produz dinheiro, não temos máquinas de produção de dinheiro, e sabemos, sim, que ainda há muita coisa por fazer», argumentou.
Ao fazer o balanço do tempo de gestão, Luís Giquira enfatizou a instabilidade política e social vivida na urbe como um fator determinante para o abrandamento do plano de desenvolvimento local.
«Já temos dois anos e meio para o fim do nosso mandato. Nesse período tivemos meses, quase um ano, com interrupções. As manifestações graves que existiram acabaram também afectando a nossa prestação e praticamente trabalhámos um ano e meio, porque o outro foi de momentos turbulentos que a cidade de Nampula viveu», explicou o edil.
Preocupações e Reivindicações da Comunidade
Durante a reunião, os residentes de Natikiri apresentaram uma extensa lista de preocupações relacionadas com a prestação de serviços básicos e infraestruturas essenciais.
Em representação dos habitantes, a chefe da unidade comunal Paulo Samuel Kankhomba, Dalila Salimo, interveio para solicitar o reforço urgente da segurança pública, o combate à criminalidade, a melhoria na distribuição de água e a expansão da rede de energia eléctrica a novos quarteirões e unidades comunais.
Dalila Salimo defendeu igualmente a colocação de iluminação pública nos acessos às escolas, a disponibilização de habitações e talhões direcionados à juventude, além do fornecimento de materiais de cobertura para o posto policial atualmente em construção.
Entre as infraestruturas prioritárias exigidas pela comunidade está a construção de um centro de saúde na zona de Terrene A, onde residem 62.684 habitantes, bem como a edificação de uma ponte sobre o rio Nicutha e a consequente reabilitação da estrada de acesso para garantir a trafegabilidade.
A problemática dos transportes também esteve no centro do debate. Adriano Ussene, morador da unidade comunal Paulo Samuel Kankhomba, denunciou a continuidade da prática de encurtamento de rotas pelos operadores de transportes públicos, apesar das garantias previamente dadas pelo Conselho Municipal para travar a irregularidade.
O residente reiterou ainda a urgência da construção da ponte sobre o rio Nicutha, alertando para o risco de vida a que os estudantes estão sujeitos no período chuvoso. «Os nossos alunos, quando atravessam no tempo chuvoso, são arrastados pela água da chuva», advertiu.