Moçambique perdeu seis posições no Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) de 2026, caindo para o 29.º lugar entre as 54 nações avaliadas no continente. O país registou uma degradação contínua na qualidade da sua governação entre os anos de 2016 e 2025, com o ritmo de perda de pontos a sofrer uma forte aceleração a partir de 2021. O relatório oficial da Fundação Mo Ibrahim foi apresentado publicamente a 31 de Outubro, numa cerimónia realizada no Cairo, no Egipto.
Deterioração acelerada sem ocorrência de golpes de Estado
Com uma pontuação fixada em 48,8 pontos num máximo de 100, Moçambique perdeu 1,9 pontos ao longo da última década, figurando na lista dos 11 países africanos que apresentaram os declínios mais acentuados em matéria de governação. O país surge ainda agrupado entre os sete Estados onde a deterioração se intensificou no período em análise, a par do Burkina Faso, Guiné, Guiné-Bissau, Níger, Sudão e Tunísia.
O relatório destaca uma particularidade relevante: Moçambique sobressai como a única nação, entre este grupo de sete países em forte declínio, que não registou nenhum golpe de Estado durante o intervalo de tempo sob avaliação, ao contrário do que sucedeu nos restantes seis países.
Retrocessos acentuados nos Direitos e Segurança
As áreas onde se observaram as perdas mais drásticas no contexto moçambicano abrangem os setores dos Direitos, Igualdade de Género, Segurança e Participação. Relativamente à dimensão dos Direitos, Moçambique posiciona-se entre as nações com os maiores recuos do continente, acompanhado pelo Burkina Faso, Etiópia, Mali e Tunísia.
Avanços na inclusão socioeconómica dos jovens
Apesar do balanço global negativo, o índice aponta evoluções favoráveis em áreas específicas, nomeadamente nas Bases para as Oportunidades Económicas e no Desenvolvimento Humano. O país obteve um desempenho positivo no indicador que avalia a promoção da inclusão socioeconómica da juventude — parâmetro que mede o acesso efetivo ao emprego e a oportunidades financeiras. Neste pilar, Moçambique junta-se ao grupo de nações com maiores progressos, onde constam também Comores, Seicheles e Tanzânia.
O Índice Ibrahim de Governação Africana é publicado com uma periodicidade bienal e analisa a evolução de 54 países através de 96 indicadores, estruturados em quatro dimensões fundamentais: Segurança e Estado de Direito; Participação, Direitos e Inclusão; Bases para as Oportunidades Económicas; e Desenvolvimento Humano. A edição de 2026 compreendeu a análise exaustiva da trajetória da governação africana entre 2016 e 2025.