Moçambique e o Malawi estão a intensificar as acções conjuntas no domínio da Defesa e Segurança, focando esforços no combate rigoroso à criminalidade transfronteiriça. Entre as prioridades estratégicas da parceria figuram a neutralização do tráfico de seres humanos e de drogas, o contrabando, a imigração ilegal e a exploração ilícita de recursos minerais e florestais.
Alinhamento Estratégico em Blantyre
O reforço da cooperação bilateral constitui o ponto central da XVII Sessão da Comissão Conjunta Permanente de Defesa e Segurança (CCPDS), a decorrer de 2 a 4 de Novembro, na cidade de Blantyre, no Malawi. O fórum junta altos responsáveis das instituições de defesa e ordem pública dos dois países para avaliar o progresso dos compromissos anteriores e desenhar novas directrizes operacionais.
Durante a abertura dos trabalhos, o secretário permanente do Ministério da Defesa Nacional de Moçambique, Casimiro Mueio, exortou o cumprimento integral das deliberações firmadas na sessão anterior, realizada em Julho de 2025, em Maputo. Entre as conquistas concretas já registadas, Mueio destacou a concessão recíproca de vagas de formação militar destinadas às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e às Forças de Defesa do Malawi (MDF).
O representante moçambicano acentuou a urgência de dinamizar o fluxo de informação de inteligência entre as autoridades operacionais, visando otimizar a prevenção do tráfico humano e aperfeiçoar os mecanismos de identificação e localização de menores desaparecidos.
Ameaças Comuns e Fiscalização da Fronteira
Por seu turno, o secretário principal de Defesa do Malawi, Gift C. Dulla, sustentou a necessidade de uma resposta coordenada para conter as ameaças emergentes à estabilidade regional. Dulla elencou o terrorismo, o contrabando de mercadorias, a exploração ilegal de recursos minerais e o comércio ilícito de espécies selvagens como desafios prioritários que exigem actuação conjunta.
A agenda de trabalho organiza-se em comités especializados encarregados de desenhar soluções práticas para aperfeiçoar a fiscalização ao longo dos cerca de 1.569 quilómetros de fronteira comum — uma extensa faixa que engloba limites terrestres, lacustres e fluviais. As equipas analisam igualmente o balanço das acções acordadas em 2025, incluindo a patrulha combinada e a realização de exercícios militares conjuntos.
Dimensão Económica e Corredores de Transporte
Além do vector estritamente militar, a consolidação da segurança transfronteiriça reveste-se de importância estratégica para o desenvolvimento económico regional. A dependência do Malawi em relação às infra-estruturas portuárias moçambicanas, através dos corredores da Beira e de Nacala, torna indispensável garantir a protecção do fluxo de mercadorias contra a acção de redes criminosas, promovendo em simultâneo o tráfego legítimo de bens e a integração regional.