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Economia

ExxonMobil Acorda Reforço no Projecto Rovuma LNG para 50% e Mantém Operação em Cabo Delgado

A petrolífera norte-americana ExxonMobil fechou um acordo para aumentar a sua participação no projecto Rovuma LNG para 50%, mantendo a liderança das operações com vista à Decisão Final de Investimento até ao final de 2026.
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A gigante energética norte-americana ExxonMobil anunciou a assinatura de um acordo para elevar a sua participação no projecto de gás natural liquefeito Rovuma LNG, localizado na província de Cabo Delgado, para 50%, mantendo simultaneamente a sua posição como operadora. O reforço da posição acionista ocorre num momento decisivo em que os parceiros preparam os últimos detalhes para a Decisão Final de Investimento (FID), prevendo-se a sua tomada até ao final de 2026.

A informação consta das demonstrações financeiras relativas ao terceiro trimestre da multinacional, publicadas a 30 de Outubro e analisadas a 2 de Novembro. O documento confirma a transação, embora não detalhe os valores financeiros associados, as condições finais de conclusão nem a percentagem exata anteriormente detida de forma direta pela petrolífera no projecto.

Troca de ativos com a Eni amplia presença no Rovuma LNG

A operação traduz-se numa troca de ativos com a petrolífera italiana Eni, elevando a posição da ExxonMobil no projecto Rovuma LNG de 37,5% para 50%, o que representa um incremento de 12,5 pontos percentuais. Em contrapartida, a Eni receberá participações noutros ativos internacionais do grupo, cujos detalhes não foram tornados públicos.

Este ajuste refere-se especificamente ao projecto Rovuma LNG e não implica que a ExxonMobil passe a deter metade da totalidade da concessão da Área 4, a qual engloba outros desenvolvimentos de hidrocarbonetos. No mesmo relatório trimestral, a petrolífera informou ainda o aumento da sua participação no projecto Papua LNG, na Papuásia-Nova Guiné, para 34%, assumindo também ali o papel de operadora.

Avanço nos contratos pré-investimento e infraestruturas

Com a meta de viabilizar a infraestrutura, a ExxonMobil e os parceiros da Área 4 anunciaram, em Agosto, a adjudicação de contratos pré-investimento avaliados em cerca de 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos. Estes acordos cobrem equipamentos críticos de longo prazo e trabalhos preparatórios essenciais.

Ainda em Agosto, o consórcio SMDC — constituído pelas empresas Saipem, McDermott, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation — foi selecionado para executar serviços limitados de engenharia, aprovisionamento e construção da componente terrestre (onshore) do empreendimento.

O projecto prevê a instalação de 12 módulos de liquefação com uma capacidade combinada para produzir 18,6 milhões de toneladas de GNL por ano, explorando as reservas em águas profundas da Bacia do Rovuma. A entrada em funcionamento das primeiras unidades está agendada para 2031, condicionado ao avanço dos investimentos e à execução das obras.

Já em Setembro, a aliança composta pela Saipem e Jan De Nul foi contratada para os trabalhos de engenharia, aprovisionamento, construção e instalação da componente submarina (offshore), abrangendo 18 poços e uma vasta rede de tubagens e equipamentos subaquáticos. O apoio logístico em Pemba foi atribuído à CFML Logistic e à Alistair Group Mozambique, preparando o arranque efetivo da construção após a aprovação da FID.

Projeções financeiras e perspetivas de receita

A concretização do projecto depende ainda da aprovação governamental das revisões ao plano de desenvolvimento, além da conclusão dos processos técnicos e financeiros. Em Julho, o Presidente Daniel Chapo classificou o Rovuma LNG como o maior projecto de investimento privado em África, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares norte-americanos. Na altura, o Chefe de Estado manifestara a expetativa de que a decisão final fosse alcançada até Setembro, prazo que antecedeu a nova linha temporal estipulada pelos parceiros para até ao final de 2026.

Segundo estimativas da ExxonMobil, a iniciativa poderá gerar aproximadamente 150 mil milhões de dólares em receitas para o Estado moçambicano ao longo de 30 anos de operação. Estas projeções dos concessionários estão sujeitas ao cumprimento do calendário de implementação e às condições vigentes no mercado internacional do gás.

Atualmente, a Área 4 já exporta gás natural liquefeito através da plataforma flutuante Coral Sul FLNG, operada pela Eni e em produção desde 2022. Ao contrário desta unidade marítima, o projecto Rovuma LNG contempla infraestruturas terrestres de liquefação instaladas na península de Afungi.

Além da ExxonMobil e da Eni, o consórcio da Área 4 integra a China National Petroleum Corporation (CNPC), a XRG (integrada no grupo ADNOC), a Korea Gas Corporation (KOGAS) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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