A escassez de certificação nos produtos e as barreiras no acesso ao crédito financeiro continuam a constituir sérios obstáculos ao crescimento das empresas lideradas por mulheres em Moçambique. Este cenário condiciona diretamente a entrada em mercados internacionais de exportação, a criação de novos postos de trabalho e a geração de divisas essenciais para a economia nacional.
O impacto das barreiras de certificação
Esta realidade esteve em debate nesta terça-feira (27), em Maputo, durante o lançamento oficial do SheTrades Hub Moçambique. A iniciativa surge como uma plataforma de apoio destinada às pequenas e médias empresas (PMEs) geridas por mulheres, com o objetivo de facilitar a ligação dos seus negócios aos circuitos comerciais nacional, regional e internacional, incluindo o mercado do Reino Unido.
Para exemplificar o impacto direto das barreiras de credenciação, o Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, apresentou o caso de uma empresária cuja unidade fabril produz atualmente mil unidades por mês e que recebeu uma proposta para aumentar a produção para 10 mil unidades mensais. Contudo, a ausência de certificação nos produtos inviabilizou a formalização do contrato.
A concretização do negócio permitiria à empresa alavancar a sua capacidade produtiva e expandir o seu quadro de pessoal de cinco para 50 trabalhadores, além de abrir espaço para o incremento de receitas decorrentes da exportação.
Desafios de competitividade e metas para o futuro
António Grispos observou que, enquanto produtos importados conquistam espaço nas redes comerciais por disporem das certificações exigidas, a produção nacional enfrenta entraves de aceitação, mesmo existindo capacidade técnica local para satisfazer a procura.
Perante este panorama, defendeu-se o reforço da capacitação das empreendedoras, a elevação da qualidade dos artigos nacionais e a criação de condições para que as PMEs consigam responder aos padrões exigidos pelo mercado global.
Neste contexto, o governante lançou um desafio ao Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME) e aos seus parceiros para que apresentem resultados mensuráveis no próximo ano. “Desafiamos o IPEME e os seus parceiros a trazerem, no próximo ano, métricas sobre o que fizemos este ano e sobre o que podemos fazer nos próximos anos”, declarou.
Integração comercial com o Reino Unido
A alta-comissária britânica em Moçambique, Helen Lewis, reforçou que a plataforma visa conectar as PMEs femininas aos mercados globalizados. A diplomata informou que o projeto já engloba mais de 100 pequenas e médias empresas no país, revelando que três delas já se encontram devidamente preparadas para iniciar a exportação de produtos moçambicanos para o Reino Unido.