Cerca de 20 mil cidadãos moçambicanos integram o contingente de aproximadamente 90 mil estrangeiros que abandonaram o território sul-africano desde o final de Junho. O êxodo em massa surge como resposta directa às crescentes ameaças e episódios de violência direccionados a imigrantes nas últimas semanas.
Movimento nas Fronteiras e Principais Rotas
Segundo os dados avançados pelo comissário e chefe-executivo da Autoridade de Gestão de Fronteiras sul-africana (BMA), Michael Masiapato, esta quinta-feira, 5 de Novembro, as partidas ocorreram maioritariamente por via terrestre. Os cidadãos provenientes do Zimbabué lideram as estatísticas do êxodo, seguidos pelos nacionais do Maláui, Moçambique e Lesoto. Apenas no que respeita à comunidade moçambicana, o responsável contabilizou aproximadamente 20 mil saídas.
No que concerne às saídas por via aérea, efectuadas através do Aeroporto Internacional OR Tambo, os registos destacam sobretudo cidadãos originários da Nigéria e do Gana. Apesar do clima tenso em diversas regiões, as autoridades fronteiriças notaram que, nos dias mais recentes, começou a registar-se uma inversão gradual na tendência, com um aumento na entrada de migrantes.
Reforço Operacional e Uso de Drones em Lebombo
A imigração irregular continua a ser apontada como o maior desafio na gestão das fronteiras. Para conter as travessias ilegais e combater eventuais tentativas de suborno de agentes nos postos de controlo, a BMA intensificou a fiscalização e a vigilância no terreno.
Uma das medidas de destaque é a utilização de tecnologia aérea não tripulada. O uso de drones na zona de Lebombo, na fronteira com Moçambique, tem demonstrado grande eficácia, contribuindo de forma significativa para a redução de tentativas de entrada não autorizadas.
Para assegurar a ordem e a segurança ao longo do perímetro fronteiriço, foi igualmente consolidada uma acção conjunta com as autoridades moçambicanas, envolvendo as Forças Armadas de Defesa de Moçambique, a polícia e os serviços aduaneiros de ambos os países.
Balanço da Violência Xenófoba
O impacto dos actos de violência na África do Sul já vinha a ser acompanhado com profunda preocupação. Num balanço divulgado a 12 de Agosto pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Maria Lucas, tinha sido confirmado o regresso de 2071 nacionais devido a ataques xenófobos. Na ocasião, as estatísticas oficiais registavam também a morte de pelo menos 11 moçambicanos em consequência desses episódios violentos.