A cidade de Maputo acolhe, de 5 a 6 de Novembro, a terceira edição da All-African Movements Assembly (AAMA 2026). O evento continental prevê reunir mais de mil activistas, sindicalistas e líderes feministas, em formato presencial e por meio de plataformas digitais, sob o lema “África Unida: O Futuro que Queremos”. A assembleia tem como propósito reforçar a mobilização dos movimentos sociais no continente, promover a articulação entre diferentes organizações e definir estratégias conjuntas para responder aos desafios políticos, económicos e sociais, com foco na justiça económica, igualdade de género, soberania digital e integração africana.
Alerta Contra o Neo-imperialismo e a Exploração Digital
Durante a cerimónia de lançamento do evento em Maputo, o coordenador do movimento Africans Rising, Hardi Yakubu, alertou para a emergência de uma nova forma de imperialismo baseada na exploração de dados e de recursos minerais estratégicos de África para impulsionar o avanço global da inteligência artificial.
Segundo Yakubu, o continente africano atravessa um contexto crítico caracterizado pelo agravamento do custo de vida, instabilidade política e crescentes restrições às liberdades cívicas, num momento em que as potências internacionais intensificam o interesse sobre as suas riquezas naturais.
“Os imperialistas estão a discutir abertamente como transformar África no seu centro de recursos para o chamado futuro da inteligência artificial, enquanto saqueiam os nossos dados”, advertiu o responsável.
Yakubu acrescentou que forças externas podem tentar instrumentalizar divisões étnicas, religiosas e políticas para fragmentar a região e assegurar o domínio económico. Diante disso, defendeu a união firme dos povos e organizações do continente em torno de uma agenda comum: “Não podemos continuar neste caminho. África deve unir-se e falar com uma só voz. África para os africanos, pelos africanos”.
Estratégias Colectivas e Agenda de Acção
Durante os três dias de trabalhos, os participantes vão focar-se na elaboração de acções colectivas estruturadas em sete áreas prioritárias, incluindo justiça económica, reparações históricas, organização digital e igualdade de género. Os trabalhos incluem também a revisão da Declaração de Kilimanjaro 2.0 e a actualização da constituição do movimento, visando converter os debates em resultados práticos.
O coordenador da Africans Rising sublinhou que a assembleia pretende ir além de discussões teóricas, estruturando propostas efectivas e mecanismos de acção directa para solucionar os problemas reais das populações africanas.
Protagonismo Juvenil e Integração Regional
Esta edição da AAMA integra a participação directa de aproximadamente 200 jovens activistas e defensores dos direitos humanos oriundos de diversos países africanos. De acordo com o presidente do Parlamento Juvenil, David Fardo, a presença da juventude visa assegurar um espaço de debate focado nas preocupações específicas deste grupo social e na formulação de soluções concretas.
“O objectivo central desta Assembleia é discutir sobre os problemas da juventude e propor possíveis soluções”, afirmou David Fardo.
Entre os temas em pauta destacam-se a governança, a participação política, igualdade de género, mudanças climáticas e o movimento por uma África sem fronteiras, que defende a livre circulação de pessoas e o fim das barreiras burocráticas e de vistos entre as nações do continente.
Fardo destacou ainda que o evento representa uma oportunidade crucial para aproximar a juventude dos países lusófonos e anglófonos, promovendo a troca de conhecimentos e experiências integradas.
“Somos uma comunidade lusófona rodeada por países anglófonos, então queremos criar esta oportunidade para diversificar as oportunidades e partilhar algumas soluções”, pontuou, reforçando que os desafios vividos pelos jovens moçambicanos assemelham-se aos enfrentados na Nigéria ou no Gana, tornando indispensável a busca por respostas conjuntas.