O ouro registou uma descida na manhã desta sexta-feira, impulsionado pelo aprofundamento de uma derrocada global nas ações do setor tecnológico. O cenário económico instável levou diversos investidores a liquidarem posições no metal precioso para cobrir perdas noutras classes de ativos. O preço à vista do ouro recuou 0,79%, fixando-se nos 4.055,55 dólares por onça troy, enquanto a prata apresentou um recuo de 0,35%, cotada a 51,598 dólares por onça.
Apesar do recuo pontual registado na sessão, o ouro mantém um ganho acumulado semanal superior a 4%.
Pressão no Setor Tecnológico e Impacto nos Mercados
A acentuada queda nas ações de tecnologia dos Estados Unidos verificada na quinta-feira estendeu-se aos mercados asiáticos durante a jornada de sexta-feira. Esta trajetória descendente foi desencadeada por expectativas de que um eventual domínio democrata nas duas câmaras do Congresso norte-americano resulte em mudanças na regulamentação da Inteligência Artificial (IA), após um número significativo de eleitores manifestar oposição à construção de novos centros de dados.
A vaga de vendas massivas impulsionou a procura por títulos do Tesouro norte-americano como ativo de refúgio, o que fez cair os rendimentos desses títulos para os níveis mais baixos desde o início de setembro. Em contrapartida, o petróleo prolongou a sua trajetória de recuperação na sexta-feira, embora se mantenha a caminho de fechar a semana com uma perda global de aproximadamente 15%.
Ajustes de Carteira e Fatores Geopolíticos
Analisando as dinâmicas do mercado, Ole Sloth Hansen, responsável pela estratégia de commodities do Saxo Bank, destacou que a correção observada decorre de uma aversão ao risco mais ampla e de movimentos de realização de lucros. Hansen salientou igualmente que a recuperação nos preços do petróleo — cuja queda anterior havia ajudado a desencadear a valorização do ouro — adicionou pressão para uma consolidação dos ganhos no metal precioso.
Vale recordar que o ouro tinha registado um forte salto de mais de 3% na quarta-feira, impulsionado pelos resultados das eleições intercalares nos Estados Unidos. Na altura, os agentes económicos apostavam que os novos democratas eleitos procurariam encerrar o conflito com o Irão, fator que vinha a inflacionar os preços da energia. Ao mesmo tempo, o mercado projetava que um governo dividido limitaria a agenda fiscal do presidente Donald Trump, travando novos aumentos de despesas e da dívida pública.
Um cenário de contenção inflacionária concede ao Federal Reserve (Fed) maior flexibilidade para aliviar a política monetária, um ambiente histórico e tradicionalmente favorável ao desempenho do ouro.
Indicadores Económicos no Foco dos Investidores
Para o curto prazo, a evolução do mercado acionista norte-americano e as próximas decisões do presidente Donald Trump relativamente ao Irão destacam-se como os fatores de maior relevância para a definição da tendência dos ativos financeiros.
Paralelamente, os investidores acompanham com atenção a divulgação dos dados do emprego nos Estados Unidos nesta sexta-feira e aguardam o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), agendado para a próxima semana. Estes indicadores fornecerão novas pistas sobre a saúde da economia e a trajetória das taxas de juro, num momento em que os pedidos semanais de subsídio de desemprego ficaram abaixo das estimativas iniciais do mercado.