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Economia

Projecto do Terminal de GNL na Matola Avança para Assegurar Futuro Energético de Moçambique

Com o esgotamento das reservas de Pande e Temane previsto para 2030, a Beluluane Gas Company acelera os preparativos para o terminal de GNL na Matola, visando o fecho financeiro até 2027.
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Moçambique está a acelerar a implementação do projecto de construção de um terminal de importação de Gás Natural Liquefeito (GNL) no município da Matola. A iniciativa visa garantir uma alternativa energética sólida e contínua ao país antes da paralisação dos campos de Pande e Temane, cujas reservas deverão esgotar-se previsivelmente em 2030. A Beluluane Gas Company (BGC) prevê atingir o fecho financeiro do empreendimento até ao final de 2027.

Avanço nas Fases Técnicas e de Contratação

No âmbito da preparação técnica e operacional do empreendimento, a BGC oficializou a nomeação do consórcio VGI/PRDW para actuar como Engenheiro do Proprietário do futuro terminal. Esta entidade terá a responsabilidade crucial de consolidar os projectos de engenharia e dar suporte ao processo de selecção do empreiteiro encarregue da execução das obras, sob o modelo de contrato de Engenharia, Aquisição e Construção (EPC).

A consolidação desta fase é considerada determinante para alavancar o fecho financeiro, cujo financiamento de arranque inicial é assegurado pela Matola Gas Company (MGC) em parceria com a Gigajoule International (GI).

Garantia de Abastecimento Eléctrico e Industrial

A entrada em funcionamento da infra-estrutura da Matola antes da interrupção das operações extractivas em Pande e Temane é vital para a sustentabilidade do sistema energético moçambicano. A instalação irá assegurar o fornecimento contínuo de gás combustível às centrais eléctricas situadas em Chókwè, Ressano Garcia e Maputo. Em conjunto, estes empreendimentos geram cerca de 450 megawatts de energia para a rede da Electricidade de Moçambique (EDM).

Além do sector eléctrico, a nova infra-estrutura de GNL responderá às necessidades de abastecimento da indústria transformadora instalada no parque industrial das regiões de Maputo e Matola, cuja competitividade e produção contínua dependem criticamente do gás natural.

A BGC confirmou ainda que as negociações comerciais focadas no fornecimento de GNL, no financiamento das infra-estruturas e na venda de gás para a África do Sul encontram-se na fase final de consolidação, com novos desenvolvimentos previstos para breve.

O Esgotamento de Pande e Temane

A urgência no desenvolvimento do terminal decorre do estado de maturidade e declínio dos campos de Pande e Temane, localizados na província de Inhambane e explorados pela multinacional sul-africana Sasol no âmbito do Acordo de Produção Petrolífera (PPA) firmado no ano 2000.

Até Outubro de 2025, a produção acumulada conjunta dos campos de Pande, Temane e Inhassoro atingiu o volume de 3 306,41 petajoules — correspondentes a 79,48 mil milhões de metros cúbicos de gás natural. Desse total, 3 278,66 petajoules pertencem aos reservatórios enquadrados no contrato PPA.

As reservas originais de Pande e Temane foram estimadas em 4,5 biliões de pés cúbicos, dos quais cerca de 3,1 biliões já haviam sido extraídos até ao encerramento de 2025. A Sasol prevê o término das operações normais de extracção para 2030, admitindo contudo a realização de investimentos adicionais que permitam estender marginalmente a actividade até 2031. A concessão oficial ao abrigo do PPA expira em 2034.

Novas Concessões e Contexto Empresarial

Para mitigar o declínio, a empresa iniciou em 2025 a produção ao abrigo do Contrato de Partilha de Produção (PSA) no campo de Inhassoro. Esta concessão, dotada de uma licença com validade até 2050, possui recursos totais estimados em 2,5 biliões de pés cúbicos, dos quais aproximadamente 1,2 biliões são tecnicamente recuperáveis sob a forma de gás natural, petróleo leve e gás de petróleo liquetefeito (GPL).

A Beluluane Gas Company (BGC), constituída em 2016 pela sul-africana Gigajoule e pela francesa TotalEnergies, lidera o projecto de importação de GNL no porto da Matola. Por outro lado, a Matola Gas Company (MGC) opera na distribuição regional desde 2005, alimentando actualmente duas centrais termoeléctricas e mais de 35 unidades industriais com gás de origem nacional.

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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