Uma inovação científica desenvolvida por investigadores da Universidade dos Emirados Árabes Unidos (UAEU) promete responder simultaneamente a dois grandes desafios ambientais: a contaminação hídrica por resíduos farmacêuticos e a necessidade urgente de fontes energéticas renováveis. A equipa criou um catalisador ativado pela luz capaz de purificar a água e, ao mesmo tempo, produzir hidrogénio, um combustível sustentável alternativo aos recursos fósseis.
Eficiência de Purificação e Produção Energética
Denominado “From Polluted Water to Clean Energy” (Da Água Poluída à Energia Limpa), o projecto alcançou resultados expressivos em testes laboratoriais. Com o recurso a iluminação LED de luz visível, a tecnologia eliminou mais de 98% do antibiótico ciprofloxacina num período de apenas 90 minutos. Os dados indicam que 88% do composto poluente foi transformado em subprodutos totalmente inofensivos.
Além do tratamento de efluentes, o sistema apresentou um desempenho notável na produção de combustível limpo: a taxa de geração de hidrogénio foi cinco vezes superior à registada quando os materiais componentes do catalisador foram aplicados de forma isolada.
Composição Química e Inovação Tecnológica
A formulação deste novo catalisador assentou na combinação de dióxido de manganês com sulfureto de zinco e índio. Os cientistas submeteram a superfície do dióxido de manganês a um tratamento especializado com fosfato, modificação que otimizou a captação de energia luminosa e acelerou significativamente as reações químicas responsáveis quer pela decomposição dos resíduos de fármacos, quer pela produção do hidrogénio.
Combate à Resistência Bacteriana e Passos Futuros
A presença contínua de resíduos farmacêuticos nas águas residuais representa uma séria ameaça à saúde pública global, estando diretamente associada à proliferação de bactérias resistentes a antibióticos. A nova tecnologia surge como uma solução promissora para mitigar este impacto ambiental.
Apesar das conclusões promissoras obtidas em laboratório sob iluminação artificial, a equipa de investigação projeta adaptar o mecanismo para utilizar a luz solar direta. Contudo, serão necessários novos estudos operacionais antes que a tecnologia possa ser implementada em sistemas de tratamento de água de grande dimensão.
A investigação foi conduzida pelos cientistas Mohammednoor Altarawneh e Ranjit Bariki, ambos da UAEU, em colaboração direta com Labeeb Ali, do Abu Dhabi Polytechnic, e Mohammed Alkaabi, investigador e estudante de doutoramento na mesma instituição universitária.