Os principais índices asiáticos encerraram a sessão desta segunda-feira, 2 de Novembro, entre ganhos e perdas, num cenário em que a queda acentuada dos preços do petróleo nos mercados internacionais e o reposicionamento dos investidores após fortes recuos globais alimentaram o apetite por activos de risco.
No Japão, o Nikkei registou uma descida de 0,33%, enquanto o Topix cedeu 0,88%. Em sentido inverso, os mercados da China continental e de Hong Kong fecharam no verde, com o Hang Seng a subir 0,37% e o Shanghai Composite a avançar 1,08%. Em Taiwan, o TWSE recuou 0,65%, ao passo que o Kospi, da Coreia do Sul, destacou-se com um salto de 2,24%. A recuperação parcial surge na sequência de uma sessão fortemente negativa registada na sexta-feira, 30 de Outubro, em Wall Street, onde o Nasdaq 100 afundou 3,5% — a maior queda num só dia desde Junho — e o Philadelphia Semiconductor Index desvalorizou 7,2%.
Alívio no Petróleo e Geopolítica em Foco
A descida da cotação do crude contribuiu decisivamente para acalmar o sentimento dos investidores. O barril de Brent registou um recuo de quase 3%, negociando acima dos 110 dólares. Este alívio ocorreu num contexto de indicações de que o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, pretende dar mais margem à via diplomática nas relações com o Irão antes de eventualmente retomar acções militares, após a realização das eleições intercalares de terça-feira no país norte-americano.
Sector Tecnológico sob Reavaliação
Para além do factor energético, o interesse por acções do sector tecnológico voltou a movimentar as praças asiáticas. Em análise às recentes oscilações, Chaltan Wang, gestor de carteiras da HashKey Capital, apontou que a questão central do momento reside em determinar se o mercado enfrenta uma correcção temporária num segmento altamente valorizado ou se está em curso o início de uma reavaliação global dos investimentos ligados à Inteligência Artificial (IA).
A volatilidade no sector foi evidenciada pela empresa japonesa Kioxia Holdings, cujas acções tombaram mais de 15%. As perspectivas cautelosas apresentadas pela fabricante de chips de memória intensificaram os receios de que a dinâmica de crescimento associada à IA possa estar a desacelerar.
Pequim Intervém Para Travar Quedas no Mercado
Na China, a valorização das acções foi impulsionada pela confirmação de encontros marcados para esta segunda-feira entre os reguladores financeiros, a banca e as correctoras, destinados a discutir medidas directas de suporte ao mercado de capitais.
As três principais entidades reguladoras do sector financeiro chinês — o Banco Popular da China, a Administração Nacional de Regulação Financeira e a Comissão Reguladora dos Valores Mobiliários da China — reuniram-se com as principais instituições bancárias do país para estudar formas de optimizar os programas de crédito vocacionados para apoiar a recompra de acções por parte das empresas cotadas.
Comentando a iniciativa das autoridades chinesas, Shen Meng, director do banco de investimento Chanson & Co., sediado em Pequim, considerou que a reunião produz um impacto positivo no curto prazo, mas alertou que os sinais políticos não possuem capacidade para alterar por si só a trajectória económica subjacente. O especialista enfatizou que uma melhoria sustentada das perspectivas a médio e longo prazo exigirá a implementação de reformas estruturais e de políticas orçamentais ou industriais de apoio.
O mercado accionista chinês tem vindo a registar uma trajectória descendente desde o Verão, pressionado pela fragilidade da economia e pelas dúvidas quanto à rentabilidade dos investimentos em IA. No mês passado, os reguladores financeiros apelaram ao reforço de compras por parte de empresas e fundos estatais, aconselhando igualmente limitação nas vendas, embora as medidas aplicadas até ao momento tenham ficado aquém do esperado pelo mercado.