O Hospital Central de Nampula (HCN), a maior unidade sanitária da região Norte de Moçambique, notificou 378 casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e 39 óbitos decorrentes da patologia nos primeiros nove meses de 2026. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (27) pelo médico neurologista Frederico Sebastião, no âmbito das atividades alusivas ao Dia Mundial do AVC, assinalado a 29 de Outubro sob o lema “É tempo de agir”.
Atualmente, o AVC posiciona-se como a segunda principal causa de internamento no Departamento de Medicina do HCN e a terceira causa de morte naquela unidade hospitalar. Em termos comparativos, ao longo do ano de 2025, o hospital contabilizou 291 casos de AVC e 48 óbitos, evidenciando uma trajetória ascendente de diagnósticos no corrente ano.
Assistência Médica e Diagnóstico Tardio
Segundo o especialista Frederico Sebastião, apesar do aumento da consciencialização social sobre a doença, persiste a preocupante tendência de procura tardia pelos cuidados de saúde. Há registos de doentes que dão entrada no hospital um mês após o início dos sintomas, na sequência de tentativas de tratamento por vias alternativas, o que reduz drasticamente as hipóteses de recuperação total.
O neurologista assegura que o HCN pretende continuar a reforçar as ações de diagnóstico e tratamento, incluindo intervenções cirúrgicas em casos selecionados, frisando igualmente a urgência de aprimorar a capacidade de resposta e formação dos médicos de clínica geral que recebem os doentes em primeira instância.
Carência de Médicos Especialistas Agrava Desafios
A escassez de recursos humanos especializados representa um dos maiores obstáculos ao atendimento eficiente na instituição. Neste momento, o HCN conta com apenas um médico neurologista e uma médica cardiologista no seu quadro.
Frederico Sebastião enfatizou que o hospital necessitaria de, pelo menos, 20 médicos internistas e cinco cardiologistas para responder de forma adequada à procura diária. Embora existam médicos residentes em Medicina Interna e a equipa de neurocirurgia venha a realizar intervenções em casos pontuais, decorre um trabalho de advocacia junto do Ministério da Saúde no sentido de suprir o défice de profissionais.
O médico aproveitou ainda para alertar a população para os fatores de risco agravantes, com destaque para a influência do consumo de substâncias estimulantes na ocorrência do AVC, reiterando a importância do diagnóstico precoce e da prevenção primária.