O ministro da Saúde, Ussene Isse, defendeu esta segunda-feira, 2 de Novembro, em Maputo, a necessidade premente de Moçambique converter o conhecimento resultante da investigação científica em respostas operacionais e concretas para os problemas de saúde que afectam as comunidades. A posição foi manifestada durante a cerimónia de lançamento oficial da Fundação de Apoio à Investigação e Inovação em Saúde (FINS).
A nova instituição surge com o propósito de reforçar o ecossistema de inovação, impulsionar o desenvolvimento tecnológico e promover a valorização dos investigadores moçambicanos. O governante enfatizou que os trabalhos científicos devem partir estritamente das necessidades reais do País, visando a consolidação de soluções nacionais ajustadas à realidade social e sanitária.
Transformação da Ciência em Respostas Comunitárias
Durante a sua intervenção, Ussene Isse sustentou que os resultados dos estudos científicos precisam de ser transmitidos à população através de uma linguagem acessível e clara. Este processo é considerado vital para garantir que a ciência promova transformações efectivas na vida dos cidadãos e na qualidade dos serviços prestados pelo Sistema Nacional de Saúde.
Para fortalecer essa dinâmica, o titular da pasta da Saúde indicou a importância de intensificar o diálogo entre a comunidade académica, estabelecimentos de ensino, órgãos de comunicação social e organizações comunitárias, aproximando a sociedade dos processos de inovação e pesquisa.
Mobilização de Recursos e Desafios Sanitários
A FINS terá a responsabilidade de mobilizar recursos, financiar projectos de investigação, capacitar investigadores nacionais e viabilizar a aplicação prática das evidências recolhidas. A criação da fundação responde a exigências prementes num cenário em que Moçambique regista um crescimento populacional anual de 2,5%, correspondente a cerca de 1,4 milhões de nascimentos por ano.
O sector da saúde enfrenta ainda desafios crescentes relacionados com a transição epidemiológica, os impactos de eventos climáticos extremos, cenários de trauma e questões ligadas à saúde mental, exigindo maior capacidade de planeamento e antecipação estratégica.
Decisões Baseadas em Evidências e Apoio aos Jovens
O ministro defendeu igualmente que o desenho das políticas públicas de saúde deve fundamentar-se em evidências científicas sólidas, permitindo decisões mais precisas, objectivas e mensuráveis.
Reconhecendo que a juventude representa 36% da população moçambicana, foi anunciada a abertura de candidaturas a bolsas destinadas a jovens investigadores nacionais. A iniciativa visa financiar a participação destes profissionais em conferências científicas internacionais, conferindo maior visibilidade aos trabalhos produzidos no País. A criação da FINS enquadra-se na agenda nacional de desenvolvimento da saúde e bem-estar perspectivada até 2030.