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Política

Exploração de Gás em Cabo Delgado e Exclusão Económica Aumentam Desafios de Segurança na África

Relatório sobre o Estado da Paz e Segurança em África alerta que as populações locais em Cabo Delgado encaram a riqueza do gás natural como factor de marginalização, associando a desigualdade aos conflitos armados no continente.
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A gestão de recursos estratégicos e a inclusão das populações locais surgem no centro do debate sobre as causas da instabilidade no continente. A exploração do gás natural na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, foi apontada como um caso crítico onde a riqueza dos recursos naturais é frequentemente percebida pelas comunidades locais não como um benefício nacional, mas sim como mais um elemento de exclusão e marginalização social.

A avaliação foi detalhada pelo Presidente do Gana e do Conselho do Fórum de Tana, John Dramani Mahama, durante a apresentação do relatório sobre o Estado da Paz e Segurança em África. O evento decorreu no âmbito do 26.º Fórum de Tana, em Bahir Dar, na Etiópia, sessão que contou com a participação do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, na qualidade de orador de um dos painéis.

Cabo Delgado e a Percepção de Exclusão Económica

O documento, que analisa a situação político-militar do continente entre Janeiro de 2025 e Junho de 2026, estabelece uma ligação directa entre a percepção de exclusão económica e os problemas de segurança. Em Cabo Delgado, região atingida por uma insurgência armada desde 2017 e que alberga grandes projectos de gás natural, sobressai a urgência de assegurar que a exploração destes recursos traga benefícios concretos e visíveis às populações locais.

A análise estrutura a crise africana em quatro dimensões interligadas: a soberania sobre os recursos naturais, a transformação digital, a fragilidade das instituições públicas e o estado da integração regional.

Panorama dos Conflitos no Continente Africano

Além do cenário moçambicano, a avaliação expõe quadros graves de fragmentação política e territorial noutras regiões de África:

  • Sudão: Identificado como um dos cenários mais complexos, o país passou a funcionar com duas administrações paralelas entre Janeiro de 2025 e Junho de 2026, com frentes de combate concentradas em áreas com importantes jazigos de ouro.
  • República Democrática do Congo (RDC): Na zona oriental do país, o ressurgimento e avanço do grupo M23 surgem intimamente ligados à disputa pelos dividendos da extracção de minerais estratégicos como o coltan e o cobalto.
  • Somália: A capacidade de acção do grupo extremista Al-Shabaab continua a alimentar-se de lacunas na governação e da ausência efectiva da autoridade estatal em diversas áreas do território.
  • Região do Sahel: Concentrou mais de 50% das mortes associadas a conflitos em África ao longo dos últimos quatro anos, registando ainda a deterioração das relações entre a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a Aliança dos Estados do Sahel.

Novas Tecnologias, Redes Sociais e Déficit Financeiro

O relatório chama igualmente a atenção para a alteração das dinâmicas de combate através do uso de tecnologias comerciais. Drones de baixo custo e fácil acesso têm sido crescentemente empregues por grupos armados. No Sudão, a utilização destes dispositivos esteve directamente associada à maioria das vítimas civis contabilizadas no último ano.

No campo da informação, plataformas como o TikTok, WhatsApp e Telegram têm sido exploradas para difundir propaganda extremista, disseminar desinformação e recrutar jovens vulneráveis, perante uma resposta institucional que ainda carece de rapidez e eficácia.

No plano institucional e financeiro, o relatório expõe limitações severas. A transição da missão de apoio à segurança na Somália (da ATMIS para a AUSSOM) exige cerca de 150 milhões de dólares moçambicanos anuais, contudo, o Fundo de Paz da União Africana dispõe de capacidade para mobilizar apenas cerca de 20 milhões de dólares. Esta discrepância mantém as operações de manutenção de paz fortemente dependentes de financiamento externo, o que condiciona a autonomia estratégica do continente.

Prioridades para a Promoção da Paz

Para inverter o quadro de instabilidade, a análise defende o reforço da integração económica regional como pilar de prevenção de conflitos, a par do combate rigoroso aos fluxos financeiros ilícitos, do desenvolvimento de cadeias de valor locais e da criação de emprego juvenil.

O documento enfatiza que a participação das mulheres na construção da paz deve ultrapassar a representação formal, assegurando o seu acesso real a oportunidades económicas e espaços decisórios. Como síntese, é destacado que a primeira linha de defesa contra a instabilidade não reside na presença militar, mas sim na confiança dos cidadãos nas suas instituições estatais e no cumprimento efectivo dos compromissos regionais como a Agenda 2063.

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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