A instituição britânica de financiamento ao desenvolvimento, British International Investment (BII), planeia aplicar cerca de 2,25 mil milhões de libras (equivalentes a 3 mil milhões de dólares) em mercados africanos classificados como de elevado risco ao longo dos próximos cinco anos. A iniciativa pretende impulsionar economias com severas limitações na atração de capital privado, com foco no fortalecimento de empresas e na modernização de infra-estruturas cruciais.
Estratégia Financeira para 2026-2031
Este montante expressivo representa um quarto do pacote global de 9 mil milhões de libras que a instituição britânica pretende destinar ao continente africano no âmbito da sua estratégia de investimento delineada para o período entre 2026 e 2031. O programa centra-se na mobilização intensiva de capital e no desenvolvimento sustentável dos mercados financeiros locais.
De acordo com as diretrizes explicadas pelo director-executivo da BII, Leslie Maasdorp, o foco principal passa por consolidar parcerias com entidades regionais para mitigar as barreiras que travam o financiamento empresarial e infra-estrutural, em especial em nações com notáveis fragilidades de crédito ou sem notação por parte das agências internacionais de avaliação.
O gestor sublinhou o realismo da abordagem ao ilustrar os desafios do continente, reconhecendo a dificuldade prática de atrair gigantes internacionais como a BlackRock para economias como o Burundi ou a República Democrática do Congo.
Aplicações Diretas e Projetos Estratégicos
Na execução detalhada do plano, a BII projeta investir diretamente 5 mil milhões de libras no continente, enquanto prevê mobilizar 4 mil milhões adicionais junto de investidores e parceiros internacionais, priorizando os setores produtivos e a infra-estrutura base.
Entre as áreas contempladas figuram empreendimentos de geração de energia, modernização da rede de portos e caminhos-de-ferro, além da expansão de infra-estruturas digitais — designadamente torres de comunicação e centros de processamento de dados. O leque de apoio financeiro abrangerá ainda os serviços financeiros e a atividade industrial, promovendo um acesso mais amplo ao crédito.
Mitigação de Riscos e Cooperação Internacional
A estratégia surge numa altura em que elevadas perceções de risco, volatilidade de divisas e a escassez de empréstimos de longo prazo continuam a retrair o investimento privado em várias nações de África. Para contornar estes constrangimentos, a instituição aposta na cooperação reforçada com bancos regionais e na partilha de risco.
Nesse contexto, destaca-se o interesse da BII em integrar um fundo de investimento em fase de estruturação, promovido conjuntamente pela gestora do fundo soberano da Nigéria e por uma agência japonesa de cooperação e desenvolvimento.
A nível global, a BII fixou uma meta de mobilização financeira que atinge os 15 mil milhões de libras até 2031 em todos os mercados emergentes onde atua, reiterando o compromisso de canalizar fundos para regiões historicamente desprovidas do interesse do capital comercial tradicional.