O Governo de Moçambique revelou que estão em curso os trabalhos para a instalação de oito novos postos de abastecimento de Gás Natural Veicular (GNV), cuja entrada em funcionamento está prevista para 2027, nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. A iniciativa insere-se na estratégia nacional de massificação do consumo de gás natural, destinada a reduzir gradualmente a dependência dos combustíveis líquidos importados e a reforçar a segurança energética do país.
Expansão da rede e transição no transporte público
O anúncio foi feito nesta quarta-feira (04) pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, na Assembleia da República, durante a sessão de perguntas ao Executivo. A intervenção respondeu às questões apresentadas pela bancada parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) sobre as estratégias para massificar a utilização do gás natural no território nacional.
Segundo a distribuição detalhada pelo governante, a cidade e província de Maputo vão acolher três postos de abastecimento, a província de Gaza terá dois e a província de Inhambane receberá os restantes três postos.
O projeto insere-se num programa estruturante virado para o financiamento e expansão de infraestruturas de GNV, focado sobretudo na integração de autocarros movidos a gás natural no sistema de transporte público. O objetivo é diversificar as fontes de energia, reduzir os custos operacionais e mitigar a vulnerabilidade económica face às oscilações do mercado internacional de petróleo.
Processamento nacional e redução de importações
O ministro ressaltou que a valorização dos recursos naturais deve impulsionar a industrialização local e a melhoria das condições de vida da população. Nesse contexto, destacou a recente inauguração efetuada este ano pelo Presidente da República, Daniel Chapo, de uma unidade de processamento integrado de gás natural no distrito de Inhassoro, província de Inhambane, enquadrada no Acordo de Partilha de Produção (PSA).
A infraestrutura de Inhassoro possui capacidade para produzir até 30 mil toneladas anuais de gás de petróleo liquefeito (GPL), conhecido como gás de cozinha. Esta produção interna tem o potencial de reduzir em cerca de 70% as importações nacionais do produto, proporcionando maior estabilidade ao mercado moçambicano.
Desafios conjunturais e combate ao mercado paralelo
Apesar dos investimentos em curso, Estevão Pale reconheceu que a expansão da rede de GNV não resolve de forma imediata as dificuldades atuais no abastecimento de combustíveis que afetam transportadores, agricultores, pescadores e o setor empresarial. As perturbações decorrem, em grande medida, de tensões na conjuntura internacional.
Para responder ao cenário atual, o Executivo está a atuar em três frentes principais: regularização das importações, atenuação dos impactos financeiros sobre os consumidores e setores produtivos, e diversificação energética. Paralelamente, foram reforçados os mecanismos de fiscalização para combater a especulação de preços, o desvio ilegal de combustíveis e a proliferação do comércio informal.