O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) apelou esta quarta-feira ao reforço dos mecanismos de mitigação de risco associados aos investimentos em infraestruturas, com o objetivo de atrair uma maior participação do sector privado e reduzir a dependência de Moçambique em relação ao financiamento público.
A posição foi detalhada pelo economista principal do BAD em Moçambique, Flávio Soares da Gama, durante a edição inaugural do Fórum e Exposição de Investimento em Transporte e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026). Nas suas intervenções, o responsável explicou que a viabilidade dos investimentos assenta em três pilares fundamentais: a preparação robusta dos projetos, a alocação adequada de riscos e o uso de instrumentos de financiamento capazes de mobilizar recursos privados.
Segundo Soares da Gama, uma das exigências essenciais para atrair investidores é garantir que os empreendimentos estejam devidamente estruturados, incluindo estudos de viabilidade técnica, financeira e ambiental. O economista enfatizou a necessidade imperiosa de estudos de engenharia rigorosos e, no caso de concessões e parcerias público-privadas, da existência de um roteiro claro para o desenvolvimento dos projetos.
Mecanismos Financeiros e Proteção ao Investidor
O economista destacou também a relevância dos instrumentos financeiros concebidos para proteger os investidores contra riscos que possam comprometer a execução das obras, apontando a garantia de risco parcial como um dos mecanismos disponibilizados pelo BAD. Este instrumento visa salvaguardar os investidores em situações de incumprimento, riscos políticos ou não conformidade regulatória.
Paralelamente, foram assinaladas as garantias parciais de crédito destinadas a mitigar o risco de incumprimento de obrigações de pagamento. Além destas ferramentas, a instituição financeira defende a utilização de modelos de financiamento misto (blended finance) e de cofinanciamento, que reúnem recursos de diferentes parceiros institucionais para viabilizar projetos estruturantes.
Como exemplo prático desta abordagem, Soares da Gama citou a terceira fase do projeto de Nacala, que combina diversos instrumentos financeiros e junta contribuições da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), do Governo de Moçambique e do próprio BAD. O responsável sublinhou que o papel do banco vai além da disponibilização direta de fundos, abrangendo o apoio ativo na preparação de projetos e na mobilização de parceiros.
Debate Estratégico no TRANS-LOG MOZ 2026
As declarações foram prestadas no painel intitulado “Gateway Mozambique: Oportunidades Bancáveis em Portos, Transporte Marítimo e Corredores”, moderado por Pedro Couto, da Couto Graça e Associados. O debate contou ainda com a participação de Mónica Temporário, presidente da Women in Logistics Mozambique (WILA) e diretora comercial do Civitas Partners Group; Onório Manuel, diretor executivo da MozParks; e Mohammed Mesbahi, diretor de desenvolvimento de negócios da Tanger Med Engineering, de Marrocos.
A edição inaugural do TRANS-LOG MOZ 2026 decorre nos dias 4 e 5 de Novembro no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo. O evento reúne representantes governamentais de países da África Austral, investidores nacionais e internacionais, instituições financeiras e operadores do sector para debater a modernização de portos, estradas e caminhos-de-ferro, o financiamento de infraestruturas e a eliminação de barreiras comerciais na região.