Pelo menos 14 pessoas, todas naturais do distrito de Muidumbe, foram assassinadas na semana passada na sequência de novos ataques terroristas registados na zona baixa que faz a divisão com o distrito de Mueda, no norte da província de Cabo Delgado.
O número de vítimas foi confirmado no último domingo, ocasião em que uma equipa das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) prestou apoio logístico e de segurança a um grupo de residentes que se deslocou ao local para realizar o sepultamento dos corpos. A ação dos insurgentes naquela região já havia sido evidenciada na passada sexta-feira, quando foram inicialmente encontrados quatro corpos decapitados na mesma área geográfica.
Reivindicação Extremista
A autoria das decapitações foi reivindicada esta segunda-feira por canais de propaganda associados ao Estado Islâmico. Nas suas publicações, o grupo terrorista atribuiu a si a execução de 14 indivíduos naquela faixa territorial, enquadrando as mortes na sua habitual narrativa extremista dirigida à população que não adere ao seu movimento no Teatro Operacional Norte.
Ausência de Pronunciamento Oficial
A escalada da violência gerou um ambiente de apreensão na região, onde reina a reserva quanto a declarações públicas. O Secretário Permanente de Muidumbe justificou a impossibilidade de prestar esclarecimentos pelo facto de se encontrar fora do distrito há mais de 20 dias.
Por sua vez, o Administrador de Muidumbe, João Bosco, remeteu eventuais esclarecimentos para o Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Cabo Delgado. Contudo, a corporação policial a nível provincial também não dispõe de mandato para abordar assuntos operacionais relativos às ações militares em curso no norte da província.