A juventude da cidade de Nampula defende que a união e a participação activa da camada jovem constituem pilares fundamentais para superar os prementes desafios sociais e económicos que afectam o continente africano, entre os quais a corrupção, o desemprego e a desigualdade no acesso a oportunidades. A posição foi reafirmada a propósito da passagem do Dia da Juventude Africana, assinalado a 1 de Novembro, data instituída pela União Africana para valorizar e reconhecer o papel dos jovens no desenvolvimento sustentável de África.
Dependência política e busca de soluções para a fome
A falta de autonomia face às elites políticas e a fraca coesão interna foram apontadas por jovens locais como factores que limitam a capacidade de intervenção da juventude. Segundo analisam, a dependência em relação aos discursos partidários impede que os jovens exijam com firmeza uma maior responsabilização dos governantes e a concretização de mudanças estruturais.
Alertou-se ainda para o facto de muitos jovens se aliarem à política não por convicção ideológica, mas por encararem a actividade partidária como a única alternativa imediata para responder às necessidades básicas de sobrevivência, designadamente a resolução de problemas ligados à fome. Esta postura, segundo os relatos recolhidos em Nampula, gera fragilidade e compromete a capacidade crítica e reivindicativa da própria juventude.
Políticas públicas inclusivas como condição essencial
Por sua vez, Branco Francisco, coordenador do Parlamento Juvenil na província de Nampula, considera que o tratamento desigual dispensado pelos governantes a diferentes grupos de jovens contribui directamente para a falta de união e coesão no seio da juventude. Na sua perspectiva, a implementação efectiva de políticas públicas verdadeiramente inclusivas é uma condição essencial para inverter este cenário, uma vez que a maioria dos jovens continua sem beneficiar dos programas governamentais existentes.
Branco Francisco apelou a uma participação mais activa na defesa dos direitos e na exigência de igualdade de oportunidades. Mesmo reconhecendo a gravidade dos riscos enfrentados por aqueles que se manifestam publicamente na busca por mudanças, o coordenador provincial do Parlamento Juvenil frisou que a juventude deve persistir na reivindicação dos seus direitos, reforçando que nenhum processo de desenvolvimento em África será bem-sucedido sem o envolvimento directo dos jovens.