A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) prepara-se para participar directamente, pela primeira vez na sua história, em operações de perfuração offshore de gás natural. A intervenção decorre no âmbito da campanha de desenvolvimento do projecto Coral Norte FLNG, situado na Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. Com uma duração estimada em dez meses, o trabalho marca um passo decisivo no envolvimento técnico nacional na pesquisa e produção de hidrocarbonetos.
A operação será executada por via da ENH-Saipem Drilling Company, entidade criada em parceria entre a estatal moçambicana e a italiana Saipem, focada em serviços especializados de perfuração. A iniciativa integra a estratégia para o projecto Coral Norte, liderado pela petrolífera italiana Eni, cuja entrada em fase de produção está prevista para o ano de 2028. As actividades no terreno contarão com o suporte do navio-sonda SAIPEM 12 000.
A embarcação servirá para impulsionar os trabalhos de implantação da unidade flutuante de produção de gás natural liquefeito (FLNG), que se localizará no sector norte do reservatório Coral.
Valorização do conteúdo local e capacitação técnica
Esta actuação no segmento upstream offshore é vista como um marco significativo no fortalecimento do conteúdo local. Segundo o presidente do Conselho de Administração da ENH, Rudêncio Morais, a empresa estará na vanguarda das operações em alto-mar, abrindo uma oportunidade crucial para a consolidação da capacidade técnica e o envolvimento directo de quadros moçambicanos em tarefas complexas.
A liderança da petrolífera sublinha que a participação activa visa habilitar a empresa a assumir responsabilidades crescentes ao longo da cadeia de valor do sector energético, posicionando o país com maior competitividade no mercado regional e internacional.
Projecção do volume de produção no Rovuma
O empreendimento Coral Norte FLNG dá continuidade aos resultados alcançados pelo Coral Sul FLNG — a primeira infra-estrutura flutuante de liquefação de gás a operar na Bacia do Rovuma, responsável por 135 carregamentos de GNL exportados até Agosto de 2025.
Quando a nova unidade estiver operacional, a capacidade de produção combinada das duas plataformas Coral Sul e Coral Norte deverá alcançar aproximadamente 7 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano. Além do incremento volumétrico, prevê-se o fomento de novas oportunidades para fornecedores locais e a especialização de mão-de-obra moçambicana.
Estrutura accionista e histórico do bloco
O contrato de concessão da Área 4 remonta a 2006. Entre os anos de 2011 e 2014, foram confirmadas descobertas expressivas de gás nos reservatórios Coral, Agulha e Complexo Mamba, com recursos estimados em cerca de 2,4 biliões de metros cúbicos.
Na estrutura acionista da Área 4, a ENH representa os interesses do Estado com uma quota de 10%, partilhando percentagens idênticas com a KOGAS (10%) e a XRG (10%). Os restantes 70% pertencem à operadora Mozambique Rovuma Venture (MRV), consórcio formado pelas multinacionais Eni, ExxonMobil e China National Petroleum Corporation (CNPC).