Os professores colocados nas zonas recônditas e fora dos centros urbanos da província de Nampula estão a apelar ao novo ministro da Educação e Cultura para que trabalhe no sentido de repor o subsídio de localização. A retirada deste benefício financeiro está a agravar substancialmente as condições de vida e de trabalho dos docentes afetados.
Desigualdade no custo de vida e despesas acrescidas
Os docentes defendem não ser justo que os funcionários colocados em zonas rurais recebam a mesma remuneração salarial que os profissionais a exercer funções nas cidades, considerando as acentuadas disparidades no custo de vida, as barreiras no acesso a produtos essenciais e os encargos adicionais de transporte.
A perda do subsídio representa um impacto financeiro severo para quem trabalha longe dos centros urbanos. Nessas regiões periféricas, a simples compra de alimentos e o acesso a serviços bancários exigem custos elevados. Em vários relatos da classe, aponta-se que alguns professores chegam a despender grande parte dos seus rendimentos apenas para viajar até às vilas sede a fim de levantar os respetivos salários. Em determinadas localidades, uma deslocação de transporte semicolectivo, conhecido como chapa-100, para comprar produtos básicos como caril, pode custar cerca de 600 meticais.
Impacto generalizado e apelo à nova liderança
O docente Ernesto Armando destacou que a retirada do incentivo agravou a vulnerabilidade dos trabalhadores face à conjuntura económica atual, frisando que quem está fora das áreas urbanas enfrenta contrariedades significativamente maiores. Ernesto Armando sublinhou ainda que a inquietação já foi submetida em diversas ocasiões às autoridades competentes sem que tenha havido uma resolução, esperando agora que o novo titular da pasta apresente respostas concretas.
A urgência de uma solução é igualmente sublinhada por Arnaut Naharipo, coordenador regional da Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) na região Norte de Moçambique. Para o responsável, a reposição da parcela financeira deve figurar no topo das prioridades da nova governação do setor da Educação.
Arnaut Naharipo frisou que não faz sentido manter a igualdade salarial ignorando as assimetrias no acesso a serviços básicos e qualidade de vida, salientando que a realidade de quem leciona nos centros urbanos é completamente diferente daquela vivida por profissionais afetos a distritos como Lalaua ou outras áreas fora da urbe.