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Economia

Preço da cebola recua nos mercados de Maputo após dois meses de escalada inflacionária

A entrada no mercado da produção nacional de cebola ajudou a aliviar a pressão sobre os preços nas praças de abastecimento de Maputo, onde o saco de 10 kg já regista reduções significativas.
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Após cerca de dois meses de contínuo agravamento das tarifas, o preço da cebola começou a registar uma tendência de descida nos principais centros de abastecimento da cidade e província de Maputo. A introdução do produto de colheita nacional está a reforçar a oferta no mercado e a suavizar a pressão inflacionária, na sequência de semanas marcadas por severas limitações no fornecimento oriundo da África do Sul.

Nos mercados Grossista do Zimpeto e Fajardo, o saco de cebola de 10 quilogramas — que durante a fase crítica de escassez chegou a ser comercializado entre 800 e 1.000 meticais — varia agora entre 430 e 650 meticais, dependendo da praça comercial, da qualidade e do país de origem da mercadoria.

Apesar do alívio pontual, os valores praticados mantêm-se acima da fasquia considerada normal pelos operadores económicos, que fixam o custo habitual do saco de 10 kg entre os 250 e os 300 meticais. A conjuntura recente evidencia a dependência do mercado interno face às oscilações de produção nos países vizinhos.

Entrada de produto nacional concorre com cebola sul-africana no Zimpeto

No Mercado Grossista do Zimpeto, Elisio Meque, comerciante de cebola há mais de nove anos, confirmou a readequação dos preços provocada pela concorrência do produto moçambicano.

“O preço da cebola agora baixou um pouco, porque antes estava muito puxado. Esta cebola que vês é sul-africana, mas o preço baixou por causa da cebola nacional que entrou no mercado”, explicou o vendedor.

De acordo com Meque, o pico tarifário verificado nas semanas anteriores desestruturou a capacidade financeira dos clientes. O encarecimento forçou muitos consumidores a reduzirem as quantidades compradas e outros a abandonarem o consumo de todo.

“Na semana passada, mesmo para termos clientes era difícil. As pessoas que compravam levavam metade do saco, porque 800 a 1.000 meticais é muito dinheiro”, relatou o comerciante.

Sendo a cebola um bem altamente perecível, a retração na procura resultou no apodrecimento de quantidades significativas de produto nos bancais. O prolongado período de estagnação das vendas gerou prejuízos aos operadores locais, reforçando a urgência da estabilização dos custos.

Contudo, comerciantes ressalvam que parte da clientela continua a manifestar preferência pelo produto sul-africano devido ao maior tempo de conservação, sobressaindo a necessidade de reforço nas técnicas de pós-colheita e conservação da produção nacional.

A comerciante Linda Machava, que também opera no Zimpeto, corroborou o início da recuperação na procura, sublinhando contudo que os custos finais dependem dos preços aplicados pelos grossistas de transporte rodoviário.

“Quando os camiões trazem a cebola e nos vendem a um preço alto, nós também temos de aumentar o preço, porque precisamos de ganhar alguma coisa”, afirmou Machava, acrescentando que outros produtos de primeira necessidade, como a batata, sofreram agravamentos idênticos devido às intempéries na África do Sul.

Prejuízos acumulados e retoma progressiva no Mercado Fajardo

No Mercado Fajardo, situado no coração da cidade de Maputo, o cenário de perdas financeiras foi igualmente acentuado. No início de Setembro, o saco de 10 quilogramas que antes custava perto de 350 meticais disparou para valores situados entre 850 e 900 meticais.

Além dos impactos meteorológicos que afetaram as colheitas no país vizinho, os operadores locais associam os constrangimentos de oferta às dificuldades logísticas e episódios de tensão na África do Sul.

Madalena, comerciante há 15 anos na praça do Fajardo, contabilizou prejuízos expressivos decorrentes do apodrecimento do produto durante a fase de preços altos.

“Quando a cebola subiu, nós também comprávamos a um preço elevado. No início desse mês tivemos muitas perdas, porque a cebola começou a apodrecer. As pessoas vinham com 400 meticais para comprar um saco e já não conseguiam levar nem metade, acabando por desistir”, declarou a vendedora, estimando ter acumulado prejuízos superiores a 50 mil meticais.

Atualmente, o valor do saco de cebola no Mercado Fajardo varia entre 550 e 650 meticais. Embora o negócio ainda não tenha recuperado a dinamização habitual, a expetativa dos vendedores centra-se no aumento da rotação de stock para prevenir novas perdas.

Expectativa dos consumidores sobre o custo de vida

Do lado das famílias, a redução das tarifas traz uma folga ao orçamento doméstico, embora persista o desejo de ver os valores regressarem aos padrões anteriores à crise de abastecimento.

“Mesmo que ainda não tenha voltado ao preço normal, já é um alívio. Antes, o dinheiro que levávamos não chegava para comprar a quantidade de que precisávamos. Agora, pelo menos, já conseguimos comprar cinco quilogramas de cebola, o que ajuda nas despesas de casa”, afirmou uma consumidora auscultada durante as compras.

Sendo um ingrediente indispensável na culinária moçambicana diária, a flutuação do preço da cebola assume impacto direto na gestão financeira dos agregados familiares, que continuam a aguardar pela estabilização definitiva dos mercados da capital.

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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