A implementação do Processo de Bolonha no sistema de ensino superior em Moçambique continua no centro do debate académico, enfrentando entraves significativos relacionados com a capacitação docente, a mobilidade universitária e a consolidação de metodologias focadas no estudante. Os desafios e caminhos para a melhoria do modelo são detalhados na mais recente obra científica lançada na província de Nampula.
Debate sobre o modelo europeu no contexto moçambicano
O livro intitulado Directrizes e Práticas do Processo de Bolonha no Ensino Superior em Moçambique: Currículo, Competências e Aprendizagem Centrada no Estudante teve o seu lançamento oficial na última segunda-feira (26), no Centro Cultural da Universidade Rovuma (CECUR), na cidade de Nampula.
A publicação resulta de um aprofundado trabalho de investigação sobre a adaptação do modelo e coloca em perspectiva a adopção de parâmetros do sistema europeu sem que estejam plenamente garantidas as condições pedagógicas e institucionais indispensáveis para a sua execução integral.
Desafios e propostas de reestruturação
A autora do livro, Graça João Zinocacassa, aponta como gargalos primordiais as limitações na formação contínua do corpo docente, as barreiras na mobilidade académica e a urgência de consolidar dinâmicas de ensino que coloquem o estudante como protagonista do aprendizado. A investigadora sustenta que os entraves não residem nos diplomas normativos em si, mas sim no processo de implementação e na capacidade de resposta das instituições de ensino superior perante as exigências do modelo.
De modo a ultrapassar essas fragilidades, Zinocacassa recomenda a criação de centros de apoio pedagógico nas instituições de ensino superior, a constituição de um observatório nacional focado na educação universitária, o aprofundamento da revisão curricular contínua e a operacionalização eficaz de programas de mobilidade académica.
Percurso académico e rigor científico
Publicado pela editora WONEYA, o volume conta com 264 páginas divididas ao longo de 16 capítulos. O conteúdo é fruto directo de uma tese de doutoramento defendida em Outubro de 2024, na Faculdade de Educação e Comunicação da Universidade Católica de Moçambique (UCM).
Graça João Zinocacassa, que é docente na Universidade Rovuma (UniRovuma), traz assim uma contribuição fulcral para o aprimoramento da qualidade do ensino superior moçambicano, estimulando a reflexão sobre os passos necessários para a consolidação do Processo de Bolonha no país.