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Economia

Standard Bank e Câmara de Petróleo e Gás firmam aliança estratégica para integrar MPME moçambicanas no sector energético

Acordo assinado em Maputo visa capacitar e financiar micro, pequenas e médias empresas nacionais para integrar as cadeias de fornecimento dos grandes projectos de petróleo e gás.
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O Standard Bank e a Câmara de Petróleo e Gás de Moçambique celebraram, na segunda-feira, 2 de Novembro, em Maputo, a assinatura de um memorando de entendimento focado em impulsionar a inserção das micro, pequenas e médias empresas (MPME) nacionais nas cadeias de fornecimento dos mega-projectos energéticos do país. A aliança visa estruturar acções de capacitação empresarial, facilitar o acesso a serviços financeiros e aproximação aos grandes operadores do sector de petróleo e gás.

Durante a cerimónia de assinatura, o presidente do Conselho de Administração da Câmara de Petróleo e Gás de Moçambique, Florival Mucave, sublinhou a importância de uma actuação coordenada para assegurar a participação efectiva do empresariado moçambicano.

“Nenhuma instituição, por si só, poderá impulsionar uma participação significativa do empresariado nacional na indústria do petróleo e gás”, enfatizou Florival Mucave, reiterando que divulgar as oportunidades de mercado é apenas uma fase inicial do processo.

O responsável salientou a necessidade premente de preparar os fornecedores para disputar licitações, cumprir exigências operacionais e assegurar a sustentabilidade dos negócios. “A nossa ambição colectiva deve ser de garantir que, à medida que surgem oportunidades de negócio associadas à cadeia de fornecimento dos projectos de gás natural liquefeito (GNL), as empresas moçambicanas não só tenham conhecimento dessas oportunidades, como estejam cada vez mais preparadas, em termos de capacidade e solidez financeira, para concorrer, executar com sucesso contratos e crescer de forma sustentável”, sustentou.

Desafios financeiros e prazos de pagamento

Florival Mucave trouxe à atenção os sobressaltos financeiros enfrentados pelas empresas locais, recorrendo a um estudo da MozUp realizado em 2024. De acordo com os dados apresentados, num universo de 104 fornecedores inquiridos, apenas 27% detinham empréstimos bancários e 84% apontavam que as fontes formais de financiamento cobriam menos de metade das suas necessidades operacionais.

O presidente da câmara destacou ainda que as empresas contratadas frequentemente necessitam de suportar os custos operacionais por prazos que variam entre 90 a 120 dias até receberem os devidos pagamentos. Diante desse cenário, recordou que “obter um contrato não representa o fim do percurso”, exigindo capacidade de tesouraria contínua.

Capacitação, mercados e expansão do apoio empresarial

A directora da Banca Comercial e de Negócios do Standard Bank, Márcia Karim, explicou que a estratégia adoptada transcende o modelo tradicional de concessão de crédito, exigindo soluções abrangentes para os desafios do sector.

“Entendemos, por isso, que o financiamento, embora essencial, não é suficiente. É necessária uma abordagem integrada, assente na capacitação empresarial, no acesso ao financiamento e na ligação efectiva aos mercados”, declarou a directora.

A responsável apontou que o convénio vai permitir aproximar as MPME das grandes operadoras multinacionais, capacitando-as para dar resposta aos padrões exigidos. Na componente de formação, Márcia Karim lembrou que, entre 2021 e 2024, a instituição financeira realizou cinco edições do programa iCreate, abrangendo cerca de 120 participações de empresários de diversos ramos.

Além disso, em 2025, as masterclasses conduzidas pelo banco alcançaram mais de 1600 participantes em sessões focadas em gestão financeira, captação de recursos, marketing digital e planeamento estratégico. A instituição mantém igualmente em funcionamento a plataforma digital “Empreenda”, que disponibiliza 28 módulos educativos gratuitos.

Incubação e apoio directo a contratos

Por seu turno, o director da Banca Corporativa e de Investimento do Standard Bank, João Guirengane, realçou o impacto transformador dos projectos de gás na criação de ecossistemas empresariais locais e na dinamização da economia moçambicana.

Guirengane assinalou que o papel do sector bancário deve ir além da mera prestação de serviços como depósitos ou transferências. “Nós queremos fazer um pouco mais do que isso, que é incubar empresas, facilitar a introdução aos grandes projectos e induzir este crescimento”, afirmou.

O director concluiu ressaltando que a sinergia entre o banco, a câmara e os promotores dos projectos será fundamental para converter o volume de investimentos em contratos exequíveis e geradores de valor para as empresas de Moçambique.

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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