Maputo – O Reino Unido e o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) defenderam, na quarta-feira, em Maputo, a consolidação do uso de dados demográficos na concepção de políticas públicas em Moçambique. As organizações apelaram ao alinhamento entre o desenvolvimento de competências dos jovens e a procura do mercado de trabalho, com o objetivo de converter o crescimento populacional em emprego e dividendos económicos.
Desafios e Oportunidades do Dividendo Demográfico
Durante os trabalhos da Conferência sobre População e Desenvolvimento em Moçambique, a Alta-Comissária Adjunta do Reino Unido, Louise Walker, sustentou que o facto de o país possuir uma população maioritariamente jovem não assegura, por si só, a concretização do dividendos demográfico. “Precisamos de saber onde estão os jovens, de que competências necessitam e de onde podem vir os empregos do futuro”, afirmou a diplomata, vincando que a informação estatística é fundamental para direcionar os investimentos de acordo com o potencial e as necessidades do país.
Louise Walker destacou a cooperação britânica na produção e análise de dados no país, citando a parceria com o Instituto Nacional de Estatística (INE) na análise temática do Censo Geral da População e Habitação de 2017 e no lançamento do Programa de Transição Demográfica em 2021. A representante salientou que esses dados serviram de suporte para a elaboração da Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–44 e do Programa Quinquenal do Governo 2025–29, apontando ainda o próximo censo populacional, previsto para 2027, como um marco crucial.
A diplomata enfatizou que a parceria bilateral deve focar na mobilização de investimentos e na realização de reformas económicas que promovam a diversificação e o desenvolvimento de cadeias de valor capazes de gerar postos de trabalho em escala.
Capital Humano e Empoderamento Feminino
Por seu turno, a Directora Regional Adjunta do UNFPA para a África Oriental e Austral, Wong Young Hong, defendeu que a valorização do capital humano tem de estar ligada à criação de emprego produtivo. “Não se trata apenas de educação, mas de ligar o desenvolvimento de competências à industrialização, transformação agrícola, diversificação económica e ao empreendedorismo”, assinalou.
A responsável do UNFPA destacou como prioridades o investimento na rapariga, a permanência escolar, o combate aos casamentos prematuros, a prevenção da gravidez na adolescência e o acesso voluntário ao planeamento familiar como pilares para expandir as oportunidades económicas das mulheres. Para o efeito, defendeu a mobilização de financiamento nacional sustentável e uma atenção especial às comunidades mais vulneráveis.
Wong Young Hong exortou à transformação das recomendações do evento num plano de ação prático, com metas mensuráveis e recursos integrados no orçamento nacional, alertando que “a janela de oportunidade demográfica não ficará aberta para sempre”.