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Economia

ENH assume pela primeira vez operação direta em perfurações ‘offshore’ no projeto Coral Norte em Cabo Delgado

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) vai integrar diretamente as operações de perfuração de gás natural 'offshore' na Bacia do Rovuma, marcando um avanço histórico no conteúdo local da indústria extrativa moçambicana.
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A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) vai participar, pela primeira vez na sua história, de forma direta nas operações de perfuração de gás natural em águas profundas (offshore). A intervenção enquadra-se na campanha de desenvolvimento do projeto Coral Norte FLNG, localizado no Bloco 4 da Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado. Com uma duração estimada em aproximadamente dez meses, a operação representa um avanço significativo para o envolvimento de técnicos e empresas moçambicanas na exploração e produção de hidrocarbonetos.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, 2 de Novembro, a petrolífera estatal sublinhou que a presença nesta campanha constitui um marco determinante para o fortalecimento do conteúdo local no setor dos hidrocarbonetos em Moçambique, ao colocar uma entidade de capital público a assumir funções operacionais diretas no mar.

Parceria estratégica e frota especializada

A campanha será conduzida através da ENH-Saipem Drilling Company, uma joint-venture estabelecida entre a ENH e a multinacional italiana Saipem, especialista em perfuração e serviços de engenharia no setor de energia. O objetivo central da parceria é consolidar a participação nacional nas atividades de perfuração no mar. O trabalho integra o cronograma do projeto Coral Norte, liderado pela energética italiana Eni, cujo início de produção está previsto para 2028. Para a realização dos trabalhos de perfuração, será mobilizado o navio-sonda SAIPEM 12000.

A embarcação atuará no desenvolvimento da unidade flutuante de produção de gás natural liquefeito (FLNG), a ser instalada na secção norte do reservatório Coral. Com esta operação, a ENH consolida a sua presença numa das fases de maior exigência técnica de toda a cadeia de valor petrolífera.

O presidente do Conselho de Administração da ENH, Rudêncio Morais, destacou que esta é uma oportunidade inédita para a consolidação de competências internas. “Pela primeira vez na história da empresa, estaremos na vanguarda das operações marítimas de upstream, o que constituirá uma oportunidade para consolidar a nossa capacidade técnica através do envolvimento ativo de técnicos moçambicanos nas atividades de perfuração”, declarou o gestor no documento divulgado.

Coral Norte impulsiona capacidade para 7 milhões de toneladas anuais

Segundo Rudêncio Morais, a integração na campanha faz parte da estratégia global da ENH para capacitar quadros nacionais e assumir, progressivamente, responsabilidades mais amplas na exploração e produção de hidrocarbonetos. Espera-se também que a iniciativa projete os operadores nacionais nos mercados energéticos regional e internacional.

O empreendimento Coral Norte FLNG dá continuidade aos resultados alcançados pelo Coral Sul FLNG, a primeira unidade flutuante de GNL a entrar em produção na Bacia do Rovuma, que até Agosto de 2025 já havia exportado 135 carregamentos de GNL. Quando a nova unidade entrar em funcionamento comercial, a capacidade combinada de produção dos dois projetos deverá atingir cerca de 7 milhões de toneladas por ano.

Enquadramento do Bloco 4 na Bacia do Rovuma

Além da expansão do volume produtivo de GNL, a ENH perspetiva que o Coral Norte abra oportunidades para fornecedores nacionais e promova a formação de técnicos especializados numa indústria de alto rigor técnico e financeiro.

O contrato de concessão do Bloco 4 foi assinado em 2006. Entre os anos de 2011 e 2014, foram descobertos recursos expressivos de gás natural nos reservatórios de Coral, Agulha e Complexo Mamba, estimados em cerca de 2.400 mil milhões de metros cúbicos de gás. No consórcio do Bloco 4, a ENH representa o Estado moçambicano com uma participação de 10%, ao lado da KOGAS (10%) e da XRG (10%). Os restantes 70% pertencem à Mozambique Rovuma Venture (MRV), operadora do bloco formada pela Eni, ExxonMobil e China National Petroleum Corporation.

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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