As obras de reabilitação da Capela de Nossa Senhora do Baluarte, localizada na Ilha de Moçambique, alcançaram 99% de execução física. A entrega oficial do monumento histórico às autoridades moçambicanas está prevista para ocorrer antes do final do presente ano, perspetivando-se um impacto direto no aumento do afluxo turístico e na dinamização da economia local.
Valor histórico e arquitetónico singular
Com mais de 500 anos de existência, a capela é reconhecida como o único exemplar de arquitetura no estilo manuelino em toda a costa oriental do continente africano. Trata-se igualmente da edificação em alvenaria de pedra mais antiga da costa africana do Oceano Índico e o edifício europeu mais antigo a conservar-se na região, tendo servido historicamente como local de passagem e culto para navegadores.
O diretor do Gabinete de Conservação da Ilha de Moçambique, Cláudio Zunguene, confirmou o adiantado estado das intervenções na infraestrutura secular. “A Capela do Baluarte encontra-se atualmente na fase final das obras e podemos confirmar que a empreitada está a 99% de conclusão. A entrega ao Governo é esperada para muito em breve. A nossa expectativa é que, com a capela reabilitada, o número de turistas a visitar a Ilha de Moçambique aumente”, afirmou o responsável.
Financiamento e fortalecimento do turismo
Iniciadas em 2024, as obras de restauro integram os esforços globais de revitalização do setor do turismo na Ilha de Moçambique. O projeto conta com financiamento do Instituto Camões — Instituto da Cooperação e da Língua de Portugal — e está a ser executado pelo grupo construtor Mota-Engil.
A capela faz parte integrante do complexo da fortaleza da Ilha de Moçambique e era um dos elementos pendentes de intervenção para permitir a realização regular de visitas guiadas. Cláudio Zunguene sustenta que a conclusão dos trabalhos irá proporcionar melhores condições de acesso e aumentar o valor turístico do conjunto patrimonial.
Preservação da memória e estatuto da UNESCO
Apesar dos desafios que o setor do turismo enfrenta na região, o número de visitantes nacionais tem vindo a registar um crescimento gradual desde 2014. A finalização das obras deverá também criar condições para que o espaço seja aproveitado no desenvolvimento de atividades pedagógicas e educativas.
Para além do seu valor arquitetónico, a Capela do Baluarte mantém uma ligação estreita com a história defensiva e religiosa da fortaleza. O monumento testemunha ainda a participação de africanos na sua construção, um aspeto considerado fundamental para a preservação da memória histórica regional.
A Ilha de Moçambique foi classificada como Património Mundial pela UNESCO em 1991. A distinção reforça o valor histórico e cultural do arquipélago e sublinha a urgência na preservação dos seus monumentos, entre os quais a Capela do Baluarte se posiciona como uma das estruturas mais emblemáticas.