Petrolífera do Malawi recusa pagar novamente 403 mil dólares a firma moçambicana após cibercrime
A Companhia Nacional de Petróleo do Malawi (Nocma) rejeitou a possibilidade de efectuar um segundo pagamento no valor de 403.615,63 dólares (cerca de 700 milhões de kwachas) à empresa moçambicana Moz Handlings LDA, na sequência de um esquema de fraude informática que desviou os fundos destinados à prestadora de serviços.
A estatal malawiana sustenta que cumpriu escrupulosamente as instruções financeiras recebidas por correio electrónico e considera que a responsabilidade pela perda do montante deve ser atribuída à própria fornecedora. Os serviços em causa envolviam operações de agenciamento marítimo, movimentação de produtos e desembaraço aduaneiro no Porto de Nacala, no âmbito do modelo de aquisição de combustíveis Governo a Governo (G2G).
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Segundo as investigações, em Março de 2026, cibercriminosos comprometeram as comunicações electrónicas da empresa moçambicana, assumindo uma identidade falsa através de um endereço de correio electrónico com uma alteração mínima na grafia. A partir desta conta fraudulenta, foram enviadas novas orientações bancárias para uma conta no Bank of America, em nome de terceiros, levando a Nocma a efectuar a transferência em Abril do mesmo ano.
O director executivo da Nocma, Emmanuel Matapa, reiterou que a instituição possui comprovativos da transferência e que não irá desembolsar novamente o montante. O responsável apresentou formalmente uma queixa à Polícia do Malawi, sublinhando que a petrolífera estatal não pode ser responsabilizada pelo comprometimento do sistema de comunicação da parceira moçambicana.
Entretanto, as investigações policiais sobre o caso intensificaram-se e culminaram na detenção do vice-director executivo da Nocma, Micklas Reuben, e do oficial sénior de operações, Jacob Sesani, para averiguar um eventual envolvimento no processo de pagamento fraudulento. A Nocma contratou também especialistas jurídicos em crimes económicos digitais para acompanhar o processo.
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