O presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, exigiu o fim imediato de todas as práticas de corrupção, cobranças ilícitas e compadrio no seio da Polícia Municipal. A tomada de posição surge em resposta às crescentes queixas apresentadas por automobilistas e operadores do transporte semicolectivo de passageiros sobre a conduta dos agentes nas vias públicas.
A declaração foi proferida esta quarta-feira (04), na Escola Prática da Polícia, em Matalane, distrito de Marracuene, província de Maputo, durante a cerimónia oficial de abertura do V Curso de Formação da Polícia Municipal da Matola, estrutura que conta com 150 instruendos seleccionados num universo de mais de 10 mil candidatos.
Ruptura com maus comportamentos e resgate da credibilidade
Na sua intervenção, o autarca reconheceu que a imagem da corporação tem sido gravemente afectada pela atitude de elementos que recorrem ao suborno, ao favorecimento e ao mau atendimento aos munícipes. Parruque sublinhou que a incorporação dos novos elementos deve representar uma mudança estrutural no comportamento da instituição, e não um mero reforço do contingente.
“Não queremos mais que a Polícia Municipal seja o rosto do mau serviço municipal (…) o rosto da corrupção”, afirmou Júlio Parruque, vincando que a força policial autárquica deve pautar a sua actuação pela legalidade, honestidade e respeito pelos cidadãos.
O edil alertou ainda para a urgência de combater a fuga de receitas municipais, defendendo que todos os valores decorrentes das acções de fiscalização devem dar entrada nos cofres da autarquia, sem desvios para benefícios individuais.
Elevada concorrência e rigor no processo formativo
O concurso público lançado a 25 de Agosto de 2025 atraiu um total de 10.558 candidatos. Deste número, foram inicialmente apurados 200 concorrentes, culminando na selecção final de 150 instruendos para frequentar a instrução militar e técnica.
“Seleccionámos 150. Não queremos arrepender-nos. Queremos sentir que fizemos a melhor escolha”, advertiu o presidente do município, apelando aos futuros agentes para encararem a carreira como uma missão de serviço público e não apenas como garante de estabilidade financeira.
A formação teve início a 8 de Setembro de 2026, com uma fase dedicada às posturas municipais, transitando agora para o treino técnico-policial na Escola Prática da Polícia. Os novos agentes serão capacitados para atuar na regulação do trânsito, fiscalização de actividades económicas, controlo de obras e ocupação do espaço público.
A adjunta-comissária da Polícia da República de Moçambique (PRM), Lurdes Espada, assegurou que o curso será conduzido com elevado rigor ético e disciplinar. O programa de treino inclui matérias como Ordem Unida, Armamento e Tiro, Preparação Física, Defesa Pessoal, Procedimentos Policiais, Direitos Humanos, Direito Constitucional, Direito Penal e Processual Penal, Investigação Criminal, Ética e Polícia Administrativa Aplicada.