A Administração Nacional de Estradas (ANE) integrou 15 recém-formados universitários, entre os quais quatro mulheres, num programa de estágios profissionais afecto a grandes projectos rodoviários nos corredores de Nacala e Mtwara, no norte de Moçambique. A iniciativa, denominada “Jovens Graduados” e iniciada em Setembro, visa proporcionar experiência prática directa na execução de grandes infra-estruturas, com seis dos participantes destacados para obras financiadas pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
Entre os jovens seleccionados está Wilson Nhapulo, engenheiro civil formado pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), que encontra nas frentes de trabalho a oportunidade de consolidar a sua formação. O profissional destaca a importância de transitar dos modelos teóricos e simulações académicas para a escala real da rede rodoviária nacional.
Integração Prática e Fortalecimento Institucional
Os participantes trabalham em articulação directa com engenheiros, equipas de fiscalização, empreiteiros e especialistas em salvaguardas ambientais e sociais, além de técnicos de aquisições e sistemas digitais. A dinâmica permite o acompanhamento integral das diversas componentes associadas à execução de obras públicas de grande porte.
A recepção formal dos estagiários decorreu a 15 de Setembro, nas instalações da ANE em Maputo, contando com a presença do representante do BAD em Moçambique, Rômulo Cunha Corrêa, e do director-geral adjunto da administração rodoviária, Miguel Coanai. O encontro serviu igualmente para debater o reforço da cooperação institucional, a capacidade operacional da ANE, os investimentos previstos e a expansão do financiamento ao sector dos transportes.
Na ocasião, Rômulo Corrêa enfatizou que a aplicação de recursos em infra-estruturas deve ser acompanhada pelo investimento no capital humano, proporcionando aos recém-graduados a oportunidade de desenvolver competências cruciais ao lado de especialistas experientes. Por sua vez, Miguel Coanai sublinhou que a iniciativa prepara uma nova geração de quadros técnicos capazes de planear, executar e gerir o património rodoviário do país nos próximos anos.
Expansão da Formação e Impacto Económico
O programa dá continuidade ao trabalho iniciado em 2025, ano em que 17 estudantes de instituições de ensino técnico-profissional de Cabo Delgado realizaram estágios práticos em obras rodoviárias, cobrindo áreas como topografia, ensaios de materiais, terraplenagem, pavimentação, construção de estruturas e drenagem. Em 2026, o modelo foi expandido aos recém-formados de nível superior.
Estes estágios enquadram-se num pacote de investimentos na rede viária do norte moçambicano, que inclui a empreitada da estrada Mueda–Negomano, com cerca de 170 quilómetros, e a modernização do Corredor de Nacala, com mais de 1000 quilómetros. Em conjunto, as intervenções somam cerca de 500 milhões de dólares, financiados pelo Fundo Africano de Desenvolvimento, União Europeia, Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), Banco EXIM da Coreia e pelo Governo moçambicano.
Além da componente formativa, os projectos de infra-estruturas em curso já geraram mais de 1500 postos de trabalho directos, impulsionando também o emprego indirecto através de fornecedores, empreiteiros e serviços de transporte local, estimulando a actividade económica ao longo dos eixos rodoviários estratégicos.