A Namíbia defendeu, nesta quarta-feira, 4 de Novembro, na cidade de Maputo, o reforço dos postos fronteiriços de paragem única e a harmonização dos procedimentos administrativos como pilares essenciais para dinamizar a circulação de mercadorias na África Austral. Na ocasião, o vice-ministro das Obras e Transportes namibiano, Hans Haikali, sustentou que a modernização da infra-estrutura regional precisa de ser acompanhada por melhorias substanciais no funcionamento e na gestão operacional dos corredores logísticos.
As declarações foram proferidas no decorrer da primeira edição do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), evento que decorre nos dias 4 e 5 de Novembro na capital moçambicana.
Experiência transfronteiriça e eficiência operacional
Durante a sua intervenção, Hans Haikali exemplificou o impacto positivo destas medidas ao citar a ligação fronteiriça entre Mamuno, no Botsuana, e Buitepos, na Namíbia. Segundo o governante, o posto opera de forma ininterrupta ao longo de 24 horas por dia, facilitando consideravelmente o tráfego de carga.
O vice-ministro revelou igualmente que estão em curso esforços para a implementação de um posto de paragem única na fronteira com a Zâmbia, adiantando que, apesar dos entendimentos existentes entre ambas as nações, o processo ainda se encontra em fase de finalização. O modelo de paragem única visa centralizar os controlos de entrada e saída, eliminando a duplicação de exigências burocráticas e reduzindo os tempos de espera nas fronteiras.
Foco na gestão e cooperação regional
Para o governante namibiano, a mera construção de estradas e vias férreas não assegura por si só a eficiência dos corredores comerciais. Haikali reforçou a necessidade de aperfeiçoar os sistemas de gestão, a segurança e a agilização dos processos regulatórios.
“Nós não devemos apenas olhar para projectos de infra-estrutura”, vincou Haikali, apontando como referência o Walvis Bay Corridor Group, organismo de coordenação logística da Namíbia com mais de duas décadas de actuação.
O vice-ministro exortou ainda as nações africanas a apostarem na complementaridade estratégica das suas infra-estruturas em vez da concorrência directa. “Como países africanos, não devemos competir, mas devemos complementar um com o outro”, assinalou, destacando que a harmonização procedimental é determinante para o aprofundamento da integração económica regional.
Debates de alto nível no TRANS-LOG MOZ 2026
A apresentação inseriu-se no painel ministerial de alto nível subordinado ao tema “Corredores das Regiões Sul e Centro: Limpopo e Beira”, sob moderação de Ambrósio Adolfo Sitoe, representante do Ministério dos Transportes e Logística de Moçambique.
O painel contou com a participação do ministro dos Transportes de Moçambique, João Jorge Matlombe; do Zimbabué, Felix Mhona; de Essuatíni, Ndlaluhlaza Ndwandwe; e do Botsuana, Keagile Atamelang. As discussões focaram-se em estratégias para reduzir os custos e tempos de trânsito fronteiriço, bem como na estruturação de projectos conjuntos de infra-estruturas a submeter a financiadores internacionais até 2027.
O evento TRANS-LOG MOZ reúne governantes, investidores, entidades financeiras e operadores económicos de toda a África Austral para debater soluções de financiamento, modernização logística e aceleração do comércio regional.