Terça-feira, 28 de Julho de 2026 | Maputo, Moçambique
Repórter Nacional
Directo

Comissão de Gestão da LAM recusa entregar documentos ao Gabinete de Combate à Corrupção

Imagem: DR | Denúncias via WhatsApp: 821701000 / 871701000
Economia
Tamanho do Texto:

A gestão da companhia de bandeira moçambicana recusa-se a cooperar com as autoridades judiciais do país. A Comissão de Gestão das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) negou recentemente a entrega de documentação solicitada pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção.

A recusa ocorreu após a exoneração de quadros responsáveis pela fiscalização interna da empresa estatal. Além disso, a companhia mantém em terra aeronaves recém-adquiridas na capital moçambicana.

Conteúdo Relacionado:

Auditoria expõe irregularidades operacionais e financeiras

Uma fiscalização interna revelou sérias falhas de governação na transportadora aérea. O relatório apontou falta de transparência em contratos de aluguer. Adicionalmente, o documento indicou irregularidades na compra de aviões obsoletos.

O Conselho de Administração respondeu aos achados com medidas disciplinares duras. O órgão é supervisionado pelos presidentes da EMOSE, HCB e CFM, designadamente Janfar Abdulai, Tomás Matola e Agostinho Langa.

Consequentemente, Gisela Angela Gomes Mabota perdeu o cargo de Directora de Auditoria Interna no final de Junho de 2026. No dia seguinte, a direção exonerou o Comandante Jorge Zandamela do posto de Vogal para a Área Técnico-Operacional, responsável por ordenar a auditoria.

Recusa de cooperação com os órgãos de Justiça

Entretanto, investigadores do órgão estatal de combate à corrupção deslocaram-se às instalações da empresa para recolher provas. No entanto, a Comissão de Gestão não entregou os processos exigidos pelas autoridades.

A recusa abrangeu os passaportes do CEO Dane Kondic e do vogal Lucas Francisco. Da mesma forma, os gestores retiveram os documentos dos membros do Conselho de Administração, contratos de trabalho e extratos bancários.

Frotas paralisadas e licenças de voo caducadas

A crise administrativa afeta diretamente a eficiência operacional da transportadora. A LAM confirmou a 24 de Julho de 2026 a chegada de duas aeronaves Embraer E-190 a Maputo. O investimento custou 25 milhões de dólares americanos.

As aeronaves possuem condições técnicas para operar. Contudo, a administração agendou os voos apenas para as semanas posteriores. A empresa alegou que os aviões estiveram seis meses na África do Sul para pintura. Porém, a auditoria desmentiu a versão e identificou avarias graves nos motores.

Por outro lado, o tempo internacional padrão para pintura de aeronaves é de apenas 14 dias. A paralisação desde Dezembro de 2025 causou a caducidade das licenças das tripulações. Apesar do investimento de 87 207,99 dólares na formação de pilotos, a LAM terá de pagar novos cursos de requalificação.

Impactos na economia e serviços degradados

Atualmente, a taxa de pontualidade da operadora atinge apenas 53%. O índice está muito abaixo da média de 85% exigida na aviação comercial internacional.

Portanto, atrasos e cancelamentos constantes causam prejuízos ao turismo e à economia nacional. Eventos desportivos do país também sofrem com a degradação dos serviços prestados.

Por fim, a empresa continua a utilizar o dispendioso modelo de aluguer ACMI. A transportadora acumula dívidas altas com fornecedores de restauração e serviços de terra, sem apresentar um plano público para liquidar o passivo.

Tópicos:

Deixe a sua opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Partilhar Citação: