Terça-feira, 28 de Julho de 2026 | Maputo, Moçambique
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Mais de 1500 Pessoas Vivem Sem-Abrigo nas Ruas de Maputo

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Sociedade
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A capital moçambicana enfrenta um desafio social profundo. Atualmente, mais de mil e quinhentas pessoas vivem em situação de vulnerabilidade nas calçadas e avenidas da cidade de Maputo.

O dado consta do mais recente Relatório Anual da Campanha de Assistência à População em Situação de Rua, Praticantes de Mendicidade e Crianças em Situação de Trabalho Infantil. O Departamento de Assuntos Sociais dos Serviços de Representação do Estado na Cidade de Maputo elaborou o documento estatístico.

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Segundo o relatório oficial, vários fatores estruturais explicam o fenómeno. O desemprego, a rutura familiar, a pobreza extrema e a exclusão social empurram centenas de cidadãos para a vida ao relento.

Histórias de Sobrevivência na Avenida Patrice Lumumba

A Avenida Patrice Lumumba acolhe diversos cidadãos sem teto. José Tivane, de 42 anos, é uma das pessoas que ocupa aquele espaço urbano. O cidadão é licenciado em Psicologia pela Universidade Pedagógica de Maputo e trabalhou sete anos na área.

Após perder o seu emprego numa clínica local, o profissional viu a sua vida mudar radicalmente. Contudo, ele recolhe garrafas e latas para recolocar na reciclagem. Além disso, lava e guarda automóveis nas artérias da cidade.

Com esse trabalho diário, o antigo psicólogo garante o sustento da sua esposa e dos três filhos. Ele divide o tempo entre a família e as calçadas da cidade. No entanto, mantém o foco total na educação dos seus dependentes.

Por conseguinte, José Tivane afirma que luta diariamente para garantir que os seus filhos continuem na escola. O trabalhador assegura que deseja impedir que a sua descendência passe pelas mesmas dificuldades sociais.

A Luta Contra o Preconceito e a Exclusão

Outro caso marcante é o de Manuel Macuácua, que completa 50 anos em setembro. O cidadão habita nas ruas da capital há pelo menos duas décadas. A sua trajetória mudou quando a tia vendeu a casa familiar durante o cumprimento de uma pena prisional.

A habitação principal da sua família situa-se no distrito de Chibuto, na província de Gaza. Portanto, sem alternativa habitacional na capital, Manuel tentou viver em três centros de acolhimento. Contudo, as tentativas falharam e ele regressou ao espaço público.

Atualmente, o cidadão partilha o passeio junto ao Jardim dos Professores com outros companheiros. Ele viveu cerca de dez anos na rua ao lado da sua esposa, até ao falecimento dela.

Desafios Diários e Desejo de Mudança

Para sobreviver, Manuel realiza a lavagem e vigilância de veículos na zona. A atividade gera até 100 meticais por dia. Além disso, a solidariedade social de transeuntes ajuda na garantia de refeições e agasalhos simples.

O cidadão lamenta a discriminação diária por parte de quem passa no local. No entanto, ele reforça que não comete crimes nem rouba para subsistir. Manuel estudou catecismo e conhece bem os textos bíblicos.

Por fim, as autoridades locais reconhecem que a assistência a esta população exige uma abordagem integrada e contínua. Manuel e muitos outros expressam o desejo firme de abandonar as calçadas de Maputo.

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