O Governo moçambicano pretende alavancar a produção interna de batata através da criação de 20 explorações agrícolas de grande escala. A iniciativa visa reduzir as importações do produto entre 40% e 50%, aliviando a pressão sobre as reservas de divisas e mitigando a forte dependência face à África do Sul, país que atualmente garante mais de 70% do abastecimento do mercado nacional.
Estratégia para Redução da Dependência Externa
A perspetiva foi detalhada esta terça-feira, 3 de Novembro, pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos. O governante enfatizou a urgência de diversificar as origens de fornecimento e potenciar a capacidade produtiva do país, sublinhando que Moçambique não pode continuar a depender do mercado sul-africano em mais de 70% do seu consumo de batata.
Para alavancar os volumes de colheita, António Grispos apontou como exemplo a seguir as experiências agrícolas desenvolvidas no distrito da Moamba, na província de Maputo, e em determinadas áreas da província de Inhambane, defendendo a sua replicação noutras regiões do território nacional.
“Temos de subir com números reais. Temos esta produção, por exemplo, de que falámos na Moamba, e um pouco em Inhambane. Se tivermos 20 farmas que multipliquem este crescimento, teremos uma diminuição em cerca de 40 a 50% daquilo que é a nossa importação”, explicou António Grispos.
Apoio Técnico e Garantia de Abastecimento
Para concretizar esta expansão, o Executivo considera indispensável reforçar o apoio aos produtores nacionais através do acesso a sementes de elevada qualidade, garantia de fatores de produção e maior articulação entre as instituições do setor agrário. A redução das compras ao exterior deverá contribuir significativamente para travar a saída de divisas.
Apesar da aposta no fomento da produção nacional, António Grispos afastou categoricamente a imposição imediata de restrições às importações de batata. O responsável alertou que uma interrupção precoce das compras externas provocaria escassez severa e uma escalada nos preços ao consumidor final.
“Não vamos restringir se não tivermos produção nacional. Imagine que restringíamos hoje. Amanhã haveria falta de batatas. Duas coisas iam acontecer: não tínhamos o que comer e os preços iam disparar”, advertiu o secretário de Estado, considerando que adotar tais limitações sem capacidade interna correspondente seria uma medida ilusória e desfasada das políticas económicas adequadas.
Contexto da Política Económica Geral
A meta de cortar as importações de batata insere-se na estratégia governamental de valorização dos produtos nacionais. Em Outubro, o Executivo já havia aprovado restrições à importação de outros produtos, como pão de forma e artigos cerâmicos, por avaliar que a indústria e a oferta internas possuem capacidade para responder à procura.
No setor agrícola, a prioridade continua a passar pelo reforço da mecanização, melhoria do acesso a insumos e estruturação de cadeias de abastecimento eficazes. Contudo, no caso da batata, o foco imediato incide no aumento da capacidade produtiva antes de qualquer limitação comercial, não tendo sido ainda avançado um plano concreto de investimento, o calendário de execução ou a localização exata das 20 novas explorações.